domingo, 8 de março de 2009

Estudo sobre os Rondós de Silva Alvarenga

Espero que isso ajude um pouco...

Vendo agora, eu falei mais sobre o rondó de Silva Alvarenga, vou estudar mais as “outras formas dessa forma”, e postarei posteriormente.

O rondó, forma poética medieval francesa, tem sua notabilidade com Guillaume de Machaut, Eustache Dechamps, Charles d'Orleans, devendo, originalmente, ser destinado ao canto e consistindo de três estrofes, com um total de doze e quatorze versos e o esquema das rimas recorrentes. Variando o números de versos e o esquema das rimas, o verdadeiro apoio fonético que em breve o caracterizaria passou a ser a repetição do primeiro verso ao fim da segunda estrofe e ao fim da terceira estrofe, isto é, do rondó. Variação subseqüente, que se pode chamar rondel, consistiu em repetir, em numero maior de versos, o primeiro verso pela altura do oitavo ou de um dos seguintes versos e no fim do poema.
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Os rondós de Silva Alvarenga representam um fim de evolução da forma, com estrutura sensivelmente diferente. Consistem, quase todos, em quatro grupos de três quadras, sendo repetida a primeira quadra, em forma de estribílho, no início de cada grupo assim como no fim do poema – o que totaliza, por conseguinte, quinze quadras ou 52 versos. Discrepam dessa estrutura estrófica o rondó XLIII, que consiste de sete grupos de três quadras, terminando cada grupo pela mesma quadra, em forma de estribilho; o rondó XLIV, com uma quadra inicial, seguida de um estribilho em forma de dístico, ao fim, num total de doze quadras, com o dístico repetido sete vezes; e os rondós XLV, XLVI e XLVII, que consistem de duas quadras, seguidas de dístico, mais duas quadras, seguidas do dístico.
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O verso, na grande maioria dos rondós, é heptassilibado, redondilho maior, salvo os do rondó XVLIII, que são pentassilibados, redondilhos menores, e os do rondó XLIV, hexassilibados.
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(quero saber que tipo de antologia é essa que não pôe os poemas que ela cita!)
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Esquema rimático,

Sobre o feno recostado(a)
Descansado(a') afino a lira(b)
Que respira(b') com ternura(c)
Na doçura((c') do prazer(d)
Amo a simples Natureza:(e)
Busquem outros a vaidade(f)
Nos tumultos da cidade(f)
na riqueza(e') e no poder(d)

Acredito eu que fica de melhor só a rima principal no rondó(e), venha a ser aguda, e as demais em sua maioria graves, isso dá mais relevância e destaque ao efeito do rondó, ou talvez o contrário, sendo ela grave e as demais agudas, mas ele teria de ser mais curto.


O Amor
Rondó XLIII

Meu peito se inflama,
Ó ninfa, socorro,
Piedade, que eu morro
Na chama de amor.

Se os dias serenas
Com doces vitórias,
Serão sempre glórias
As penas de Amor.

Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.

Triunfe a ternura
Nas cordas da lira,
Que branda me inspira
Doçura de Amor.

Dá fim aos desgostos
Que nutre o receio,
E anima em teu seio
Os gostos de Amor.

Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.

Por ver, que te agrava
Meu terno gemido,
O tinha escondido
Na aljava do amor.

Mas entres pesares
Suspira, e te roga
Confôrto, e se afoga
Nos mares de Amor.

Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.

Cantou passarinho,
Com voz lisonjeira,
Que viu na mangueira
O ninho de Amor.

Alegra os rochedos,
E aprende desta ave
No canto suave,
Segredos de Amor.

Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.

O monte me escuta
Respondem as brenhas,
Que busque nas penas
As grutas de Amor.

As mágoas contemplo
E a dor, que me cansa:
Envio a Esperança
Ao templo de Amor.

Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.

Vem ver nestes vales
Os mimos de Flora,
E o trsite, que chora
Os males de Amor.

Respire a minha alma,
Que geme, que espera:
A ganhe em Citera
A palma de Amor.

Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.

Se amante anuncias
Prazeres ditosos;
Serão preciosos
Os dias de Amor.

Ah deixa os rigores,
Dar-te-ei, Glaura bela,
Em nova capela
Mil flôres de Amor.

Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.

Sei que pelo fato de Silva Alvarenga seja parnasiano que eu falar sobre ele ou estudar a poesia dele é um tanto inadequado, como a maioria das pessoas veem. Mas a forma de seu rondó me agrada e é a que eu uso, que possivelmente farei algumas modificações ao meu ver, de melhor maneira, tornando-a mais elástica. Mas em suma isso fora sobre a forma do rondó do Sr. Alvarenga, isso não significa que você vá ficar escrevendo sobre a Glaura em uma inspiração psicótica sobre uma vida que não é sua. O rondó não tem limitação de tema, pois ele pode ser até mesmo um epitáfio(se caber na lápide...), logo o Epitáfio tem limitação pois ele é classificado de acordo com o tema e ocasião.


Fonte pega (90% copiada) do livro
Nossos Clássicos
-----Nº 24-------
Silva Alvarenga
------Poesia-----
--------por-------
Antônio Houaiss
----2ª Edição---
----1968---
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Um comentário:

  1. Muito bom esse estudo sobre rondós, salvei aqui no pendrive (meu pc queimou, por isso demorei tanto pra ler), vai me ajudar bastante no assunto.

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