domingo, 12 de fevereiro de 2017

Trovas

liink da imagem
Eu tenho a morte comigo
nos ossos que foram meus.
Mementos dentro dos bolsos
relíquias de quem morreu.

...

Os sonhos são me impossíveis.
Impassíveis tal metais
nos dentes. Grade e aparelho
do açaimo de um incapaz.

...

Os outros são tão legais,
normais, banais e mais nada...
Carregam em um segundo
infindas vidas agregadas.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Definhar



Definhar

Eu vi nos retratos que andam nas ruas,
nessas impressões rotineiras, sem rostos,
eu vi que os teus modos diziam os desgostos
d’uma periódica morte em mãos nuas.

Como a correnteza correndo pro esgoto,
na vermelhidão que tão quente situa
todo o limiar de sua vida, sua lua
desaparecendo num gesto indisposto.

- É a vermelhidão de seu sangue e seu impulso
numa periódica morte, no tempo
feito em rotineiro mofo e apatia.

- Eras um carneiro tão forte e convulso
todo em desejo em brasa no vento.

Vi nos seus retratos; seu sangue ebulia.

(soneto antigo, mas muito bom)