Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Morena

Uma menina me disse que era meio preconceituoso... Gostaria de saber o porquê....

Morena

Tranças: Correntes de cabelos,
fibras de vidas, são serpentes,
feras letargas de potentes
ondas do tempo, ritornelos.

Formas. Lembranças de passados,
tempos perdidos, de mistérios,
mundos, cidades, monastérios,
ritos de povos apagados.

Tranças que lembram as viagens
feitas por mentes ascendentes
dos exotismos florescentes
de feiticeiras paisagens.

Formas: De corpo moldurado
pelos sultões e seus anelos,
filhas de reis que em seis castelos
deusas tiveram copiado.

Trança morena, verdadeira
Vênus de cá do mundo antigo,
tens uma chama lá contigo,
de todas as musas (da primeira).

Forma tão humana, teu feitiço,
é ser humana, n’um resumo:
De todas elas tens o sumo
e o mais puro padrão, o mestiço.

Soneto – Paródia



“Oh! não proíbam pois ao meu retiro
Do pensamento ao merencório luto
A fumaça gentil por que suspiro.

Numa fumaça o canto d'alma escuto...
Um aroma balsâmico respiro,
Oh! deixai-me fumar o meu charuto!”
Álvares de Azevedo - Soneto

Soneto – Paródia

Um mancebo na erva se demora,
outro bêbedo passa noite e dia,
um tolo pr’o partido viveria,
um toca guitarra, e esse namora.

Um outro que uma gente má ignora
faz da “NET”, no fim, sua família,
outro toma solvente e se vicia...
Quantos moços perdidos vejo agora!

Oh! Não proíbam pois, no meu estudo
esses versos de ultrapassado ofício:
Velharias literárias que me meto.

N’uma balada um canto d’alma escuto,
de Azevedo invejo seu artifício!
Oh, deixai-me acabar o meu soneto.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Hino dos Perdidos

Escrevi esse poema quando eu estava em São Paulo, de um ímpeto, para uma valsa sinistra, que eu tenho na cabeça. Com um pouco da energia que tem São Paulo, das coisas antigas e desse aglomerado humano. Queque seja sobre ou que tenha ligação, apenas foi algo que me ajudou a escrever, como a tarde de chuva que ajuda a alguém a escrever sobre planetas. Não tem uma relação.
Bom espero que gostem, aliás esqueci de falar, esse poema é antigo e já foi postado antes no blog também antigo^^.
Bom proveito.
Abraços.

O Hino dos Perdidos

Dancemos as danças dos loucos
girando cirandas e aos poucos
cairemos na própria loucura
quebrando as cabeças, fraturas
que sempre estiveram presentes
fantasmas, flagelos dormentes.

Pisemos nas poças mais sujas
girando e o dançar sobrepuja
camisas de força dos homens
tão sérios, maduros que somem
na massa de peso no mundo,
seremos melhor, vagabundos.

Dancemos a própria desgraça
tampemos com grades, mordaças
correntes de riso, cantemos
matemos o siso e seremos
os lobos nos campos gelados
caçando na noite indomados.

Na dor choraremos tão pertos
na dor abraçados, cobertos
na força de unhas que entrando
na pele e da carne passando
rompendo pedaços de nós
sabendo que estamos tão sós.


No peso do mundo riremos
tentando tampar em um esmo
que tanto de corda nos dá
porém nem sabemos se há
motivo que causa os efeitos
de tantos tormentos no peito.

Que gritem e chorem e dancem,
se somos as vitimas danem-se!
As chagas os sóbrios nos dão
culpados de tudo que são
vaguemos perdidos em hordas
banidos, bonecos sem cordas.

Vaguemos: os quadros manchados,
meninos selvagens, e os ratos,
romances violados, senhores
de mundos sonhados, horrores
em traumas, uns tais esquecidos,
mendigos! Em suma os feridos.

Pois, culpa das chagas que temos,
deixando seqüelas profundas
é culpa dos "sóbrios", na imunda
maldade dos mesmos.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Perfume

Perfume

Para M. Weber



É cheiro de uvas,
uvas verdes sem casca
perfume de flores
ferro e vinho e devasta
o mundo real
cinza e insosso e nefasto,
sobrando no fim,
sangue e vinho e no vasto
perfume vermelho
gosto férreo na língua
desejo carmim.


Quando tudo mingua
perdura um gosto em mim
desses mortais:
de "Quero Mais".



25 de abril de 2009

Algumas coisas estão além de um descrição física, e algumas memórias eu sei, vão durar muitos e muitos anos.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Para Manuella Weber

Para Manuella Weber

Eu não sei que se passa no seu mundo,
aí nesses seus olhinhos que tão verdes
distantes se situam... Mar tão profundo
que nada mais revela... Que não se mede.


É um mundo condensado pela rede
de tramas neurológicas, fecundos
sistemas de memórias bem expede
milhões de pensamentos vagamundos.


Enquanto vãs pessoas vão em dementes
estradas lineares das idéias,
tu segues mil caminhos diferentes.


Pois tens lá na sua íris refletida:
A Terra que se espelha nessa esfera,
sua mente... Fascinante e distraída...


Espero que ela não me mate... Hehhe
Vai mais como uma demonstração de afeto...
Ela gostou
mais um próximo
é engraçado o fato de eu escrever um poema para alguém do qual esteja comigo, digamos, sempre foi para aqueles meio impossiveis e os que fiz depois de estar com alguém antes, eram apenas, não realmente verdadeiros...
E ela me inspira.

Ela vai ficar sem graça^^.