terça-feira, 13 de junho de 2017

Águas Turvas





Águas Turvas

São  sonhos sempre e sempre serão  sonhos,
e todos eles vertem mesmo rio,
naquele barco  deito e o remo desponho
e em cada braço um leito ali  emergiu.

Da perda a dor letarga em pleno  frio,
de plena pena leve açaimo exponho
na face a pele trinca o falso brio,
se em sonho encontro o monstro que  componho.


No rio se encontra o duplo  ali oposto,
na água turva  espelha a fauna rébria,
à treva o ensejo almeja e ao pulo impele.

São sonhos sempre e sempre terão  todos
o mesmo tom confesso de tez ébria,
os mesmos vermes transpassando a pele.


Enfim, um soneto descente depois  de tanto tempo....

segunda-feira, 27 de março de 2017

Cainho



Cainho

Eu sinto falta das estrelas
compassadas, no meu caminho,
as pontilhadas na janela.

O brilho rítmico em alinho,
dos postes presos na  rua
de meu destino  em desalinho.

Eu sinto falta e continua
o ensejo ausente de breu!
O asfalto em mim que me insinua...

O brilho em frenesi tão meu...
Anseia o beijo da rua a estrada.
Se anseia a alforria que pereceu...

Mas  sinto a falta que alastrada
conduz na ânsia a culpa e a fome
de encoleirada dor claustrada.

A dor de um cão! Vida que some
na raiva, os dentes cá se estorcem
e rasgam a tez de quem os dome!

Sentir as luzes que distorcem
a vida prenha por perdê la
em sonhos nômades  que sorvem-me!
Eu sinto falta das estrelas!