É a liberdade no gozo e na dor,
esse desejo suicida de um cárcere:
Vê liberdade no fim e na morte,
de todo'os outros, na fuga e no término
de toda a arte, de nós, do trabalho.
Ah um gozar o final sem ser mártir
pela vontade de dar e criar,
as novas formas, á um mundo tão inóspito,
Hefesto e Vênus conduzem o jogo
sexo e trabalho em suor se confundem.
ambos um esforço em gozar no final.
terça-feira, 20 de abril de 2021
Hefesto e Venus
Soneto
Um soneto é caixa de Pandora,
traz os monstros, liberta o infortúnio
numa forma pequena de interlúnio
que em horror e sublime se deflora.
Entre forma e disforme algum conluio
que a violência do ritmo se explora,
toca a dor disforme que devora
na demência em querer algum fortúnio.
É de todos os males o pior:
de gozar e compor na harmonia,
de cantar entre caos e temperança.
E na certa medida se compor,
intrincado desenho de poesia
num capricho teimoso de criança.
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