terça-feira, 3 de setembro de 2013
Ela
Ela dissolvia um halls preto na boca cheia de vódka e tinha um cão chamado Salazar.
Tinha um nome conhecido e um nome que muitos já se esqueceram.
Nome que podiam chamá-la, nome que podiam faze-la sofrer.
Nome que paira sobre um ar de desconforto.
Mas já foi o gozo e a dor de muitos homens e tem um pequeno cemitério por de trás dos tonéis.
Ela os vê brilharem a noite mas ela sabe abrir qualquer animal.
E pode enfiar suas mãos em suas entranhas.
Sabe limpá-los. Torna-los puros e inofensivos.
Arranjar-lhes um lugar. Como já fez em muitos homens.
Lugar dela, um barraco no alto do morro que sabe concertar com qualquer coisa que encontrar.
Ela sabe que ali ninguém mais a incomoda.
Mas ela dá cigarro aos garotos. Mas enterrou aquele que seria um.
Ela já viu o inferno que é o paraíso dos homens.
Ele foi o primeiro de tantos.
Hoje ela tem tantos dentes na boca...
Ela cheira á óleo e ela tem cabeças de bonecas e ela tem uma cadeira de rodas no armário e ela sente pequenos insetos se remoendo entre os dedos, coçando, fazendo caminhos.
Se sente mãe de tantos.
Ela não tem idade mas tem um nome sempre sussurrado por um pequeno cemitério por trás do tonéis, com cabeças de bonecas. E ela poderia limpá-los assim como aquele que seria um, pois sabe abrir qualquer animal, mas ela os vê brilharem a noite.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Paisagem - Estudo
Brilham pra mim na treva,
augúrios invertidos
em três fases,
os anzóis se armam
e em três frases
afirmam faróis
nas superfícies
com seus naufrágios
co'as fiandeiras
no tear, corais
de seus fados...
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Cordel...
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Passagem, Noturno e Aflição

Noturno
Um teto sem estrelas, perdido nos faróis, nas luzes das janelas e em tantos outros sóis... Um tempo sem estrelas e tantos holofotes, que tentam surpreende-las com luzes e tão fortes são olhos tão famintos que espreitam as cidades, em cada labirinto com toda a liberdade. E os homens no negrume se perdem em seus mundos, num vago e frio perfume de um gozo moribundo. N'um mundo moribundo...
Passagem
Eu não mais enxergo aquele meu rosto... Todo o meu falar calou e foi perdido lá nos vendavais de velhos desgostos, folhas de um futuro estranho e vencido.
Traços de um amor ao ontem retido todo num sonhar, ferrugem é o seu gosto... Traços de um homem viajante estranho e esquecido, homem que voltou n'um fim decomposto.
Já não mais enxergo aquilo que escrevo, esta má melodia de tempos amigos, este manuscrito de vis tatuagens.
Nem sei se me lembro além do que não devo: linhas que carrego in-derme e comigo numa confusão de mil maquiagens!
Aflição
Os girassóis se desmancharam nos carroceis das estações e as estações já se apagaram lá nos broquéis das gerações que desmembraram e se afogaram nas mais cruéis das aflições.
Nas mais cruéis das aflições!
Uma outra concepção de verso livre hehehehe
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Pessoas

Esses rostos conhecidos,
são resíduos de um passado
apagado da memória
são as histórias a me encarar.
Vagos vultos de verões,
conhecidos passageiros,
esquecidos companheiros,
gerações a definhar.
São passados passageiros,
que passaram uns verões,
nessa vida gerações
companheiros a apagar.
Esses rostos conhecidos,
são resíduos de um passado
apagado da memória
são as histórias a me encarar.
São fantasmas d'uma época
que apodrece no desuso,
são registros tão confusos,
e são pérolas sem par.
São fantasmas do desuso,
velharias de outras épocas,
são retratos e são pérolas
de um confuso a mergulhar.
Esses rostos conhecidos,
são resíduos de um passado
apagado da memória
são as histórias a me encarar.
São pessoas que dissiparam
e são outras as suas vidas,
não são mais as conhecidas,
se mutaram, vão passar.
São as efêmeras, suas vidas
no fim logo dissiparam,
pois são outras, bem mutaram.
Conhecidas? Vão mudar...
Esses rostos conhecidos,
são resíduos de um passado
apagado da memória
são as histórias a me encarar.
E se vejo no caminho
um estranho conhecido
d'outros tempos já perdidos
vou sozinho lhe acenar.
Pois sou apenas conhecido,
um que passa em seu caminho.
Num aceno vou sozinho,
já perdido se apagar.
Esses rostos conhecidos,
são resíduos de um passado
apagado da memória
são as histórias a me encarar.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Varios Simbolistas

Alguns poetas da fase simbolista, ou que participaram dela. O simbolismo fora uma resposta ao parnasianismo, assim como o parnasianismo fora um resposta ao romantismo, apesar de que estes três em muitos autores andam juntos, como em Cruz e Sousa, parnaso-simbolista por exemplo, ou Luiz Delfino que passou pelas três fases. Olavo Bilac que muitas vezes andou pelo romantismo e pelo simbolismo também. Dizer que um escritor, por exemplo Cruz e Sousa é apenas Simbolista ou Parnaso, ou cuspir em toda a obra de Olavo Bilac (como muitos fazem) por causa dele ter feito parte do movimento parnasiano é digamos, estupidez! O que vale é a obra em si do autor e classificar alguém só pelo movimento que fez parte é bobagem. No simbolismo se vê muita tendencia ao modernismo, além do quê, o verso livre começou foi no simbolismo. E muitos modernistas como Drummond e Manuel Bandeira fizeram sonetos com um rigor técnico muito equivalente aos parnasos.
O meu concelho é, estudar a literatura indo além dos preconceitos que se aprende na cartilha do MAC. E ler mais a literatura inclusive a poesia nacional, pois na poesia não se lê o poeta estrangeiro em português, se lê o poeta tradutor escrevendo uma versão da idéia do poeta. Logo eu prefiro as edições bilíngües... Acho que todos preferem.
Mas bem voltando ao assunto, poetas nacionais da fase simbolista, sendo que se pode ver: Idéias em comum mas eles não são as mesmas coisas. Pois cada escritor é único.
Castro Meneses (1883 - 1920)
Cruz e Sousa
Vieste como o cansim dos areais africanos,
Ébrio ainda do sol que requeima o deserto,
Tentar, em pleno espaço, os vôos sôbre-humanos
Dos anjos e lutar de peito descoberto.
Vieste da solidão dos tormentos insanos
À procura da luz de um grande sonho incerto,
Tendo por voz amiga o clamor dos ocenaos
E por tenta o alto céu sôbre tua fronte aberto.
Rebramiu sôbre ti um anátema eterno.
Mas, indômito e só, velho titã glorioso,
Transpuseste, sorrindo, os círculos do Inferno...
E, esboçando na sombra um ríctus mais tristonho,
Ficaste, como um deus, vencido e silencioso,
Emparedado, enfim, dentro do próprio sonho...
José de Abreu Albano (1882 - 1923)
Cantiga 1
Nestes sombrios recantos,
Nestes saudosos retiros
Desliza um rio de prantos
E corre um ar de suspiros.
Volta
Tenho na alma dois moinhos,
Um é de agua, outro é de vento;
Ambos juntos e vizinhos,
Estão sempre em movimento.
E giros tantos e tantos
E tantos e tantos giros
Dão ao primeiro os meus prantos
E ao segundo os meus suspiros.
Álvaro Moreyra (1888-1964)
Lenda
"Não colhas essas rosas.
As rosas,
Irmãs na terra das estrêlas,
São mais lindas nos olhos que na mão,
Contenta-te com vê-las,
Deixa-as na haste,
Côr de púrpura e ouro,
Se as colhêres, as rosas morrerão"
Não quis ouvir o teu agouro.
Colhi tôdas as rosas que nasceram
Nos caminhos por onde me levaste.
E as rosas não morreram...
Epitáfio
Acreditei na vida. E a vida em mim. Depois
Desandamos a rir de nós ambos os dois...
Eduardo Guimaraens (1892 - 1928)
Embalo Fúnebre
Sob os ciprestes,
Dormem os mortos.
Dormem os mortos
À luz da lua.
Pálida lua,
Gélida lua!
Soluça a bôca
Do que ainda vive.
Oram mãos postas
Pelos que dormem
(Silêncio!) o sono
Da terra, eterno.
De bôca em bôca,
Lúgubremente,
Passam os réquiens
Pelos que dormem
Sob os ciprestes.
Vaga a saudade
Pelo siêncio
Da noite fria.
Oram mãos postas
Por quem não vive.
Pálida lua,
Gélida lua!
Vê: Também morto,
Sinto o meu sonho!
Ora por êle,
Pede por êle.
Noite sem astros,
Ora por êle.
Inocência
Inocência das cousas. Pura
Suavidade
Da alva que surge. Paz, frescura,
Símplicidade!
Nitidez do orvalho. Profundo
Céu. Ri-se a aurora...
Milagre. Dir-se-ia que o mundo
Nasceu agora!
Marcelo Gama (1878-1915)
Chuva de Estrelas
Li uma vez em páginas antigas
Que se uma estrêla cai do céu clemente,
Concede tudo o que lhe pede a gente.
Como as estrêlas são nossas amigas!
Por isso agora, insone e sem fadigas,
Fito os céus tôda a noite atentamente.
Chovem estrêlas... E eu: - "Astro fulgente,
Que que eterno o nosso amor predigas!
- Faze-me bom! Conserva-lhe a doçura!
- Estrêla, dá-nos paz! serenidade!
- Que a nossa filha seja linda e pura!"
Doiradas ambições! Como dize-las,
Se elas são tantas?! Deus, por pieade,
Manda que caiam tôdas as estrêlas!
Onestaldo de Pennafort (1902 - ?)
Chuva
A chuva entorna na paisagem calma
Uma indolência de abandono e sono
Paisagem triste como a de minha alma...
A chuva é um longo sono de abandono...
Olho atravéz do espelho da vidraça.
Dorme o jardim sob soluços d'água.
Na rua, alguém cantarolando passa,
Cantarolando a minha própria mágoa.
Quem será êsse vulto que se apossa
Da firme dor que em minha vida existe,
Para cantá-la assim num ar de troça,
De uma maneira que me põe mais triste?
E olho através do espelho da vidraça:
Dorme o jadrim sob os soluços d'água.
Na rua adormecida ninguém passa.
A chuva canta a minha própria mágoa.
Araújo Figueredo
Num Sonho
- Lá vai, velas ao vento, o brique Flor das Águas;
Lá vai, garbosamente, em procura do Norte.
E alegre chegara? Quem sabe lá das magoas
Da sua gente? E quem já lhe notou a sorte?
"Mágoas! Quem nunca as teve? Eu, pelo menos, trago-as
Desde o dia fatal em que, olhando a morte,
O meu noivo vagara aflito, envolvido nas fráguas,
Dos bruscos vagalhões em terrivel coorte:
Assim falava Rosa às queridas amigas...
E dentre o lindo rol de meigas raparigas,
Rita pôs-se a cismar na vida do Lourenço.
Vira-o no mar profundo e revôlto de um sonho,
Nas angústias fatais de um naufrágio medonho,
A gritar e a acenar convulsamente um lenço.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Móbile

Resolvi fazer isso, para mim, cada palavra tem um som, uma cor e uma vastidão de significados, no meu caso, pondo pelo menos metade do que eu consigo passar evitando descrever sensações, essas palavras em si levam á um monte de outras em uma teia, em um móbile extremamente complexo e pessoal como o mundo de qualquer pessoa nesse mundo que tenha um pouco de sensibilidade. Acho ainda elas ralas, dependendo do momento elas poderiam aumentar ainda muito mais, acredito eu...
Escolhi palavras a revalia de uma maneira inconscientemente normal.
Cada palavra em um poema tem de ter um significado maior do que simplesmente uma rima, talvez isso seja o que deixa os meus poemas meio repetitivos acho, que eu bato muito em algumas palavras mas elas são de grande importância para mim, na minha vida em si elas representam muita coisa, assim como os meus temas. Sendo que cada uma dessas palavras tem de ter um som com um tom correspondente ao resto do poema, é como aquelas danças contemporâneas acho, você tem de conhecer muito bem sobre para entender, talvez seja por isso que eu não vejo graça nenhuma nesses troços... Para quem não gosta de poesia, tanto verso livre como clássico, sem os preconceitos xucros, possivelmente não deve ter sensibilidade para o peso das palavras, apesar de que bem possivelmente irão ter sensibilidade para muitos outras coisas...
Acho que o que vale a pena é descobrir cada um do que é feito a sua alma, ou de como moldaste ela. Eu moldei a minha para as palavras, para o meu bem ou para o meu mal, para o som das palavras e as suas infinidade de imagens. Afinal, uma palavra vale mil imagens! Jamais uma imagem vale mil palavras, pois uma imagem passa mil sensações, mas uma palavra passa mil imagens que passam mil sensações.
Esqueleto – Morte, delicado, apatia, seco, gosto de carne seca, umidade, linhas, insetos, azul, branco, surdes, barulho de vidros se tocando, transparente, opacidão, céu noturno sem lua, estrelas, infinito, quintal, imensidão, desejo, viajar, mar...
sofá – Conforto, poeira, pó, casa, família, móveis, madeira, livros de receitas, sono, tarde da noite, mundo de beekman, chocolate quente, cobertores, insetos, algodão, fim de tarde, quadros, descanso.
Folha – Verde, Peter Pan, Esqueleto, fadas, sininho, umidade, sonho, são Paulo, janela, arvore, mundos, macro, pré escola, terra, raio de sol, raio de sol(escola), infância, formigas, papel, evolução, parques, sombra e luz, farrapos, tecidos brancos, lua, vento, distancia, jurassic park, chuva, cupins, livros, boneco de madeira com algodão que fiz um dia na pré escola.
Carteira – Mal Estar, prisão, lápis, aula, quadrado, burocracia, escola, medo, tédio, melancolia, cinza, fuga, relógio, obrigação, grades, cimento, adultos O.o', infelicidade, rotina e panelas.
Contenho – Mão, abraço, apego, poder, ursos, coisas, areia, vida, pessoas, redes, soberania, preservação, medo, insegurança, adolescentes, falta de ar.
Passará - Estrada de terra, horizonte, pássaros, meu pai dirigindo algum carro na infância, um cocar que tinha na primeira casa que morei aqui na ilha, as coisas que meu pai guarda(pedras, apitos e coisas do tipo), um boneco que fumava e tinha sacolas, chinelas, imagem de casas ao longe, pessoas distantes, desapego, liberdade, letra acho que do Zé ramalho, poeira levantando com o passar de um carro, revistas da national geographic, asfalto com a faixa amarela, casas na beira de estradas, pasto, vacas, mata, pedras, areia e mar, rostos amigos, namoro, meu rosto, velhos, família, tudo...
tatuagens – pele, pessoas, sociedade, desejo, rebeldia, necessidade de se unir a grupos, imaturidade, maturidade, independência, apego, metais, agulhas, sangue, esparadrapos, moda, cor, perícia, precisão, técnica, luvas, azul de limpeza, poluição, afrescos, arte, superação, cortes, traumas, lembranças, memórias, sentimento, fé, ideologia, desespero, loucura, paixão.
Desenhar – alma, paz, limpeza, calma, suor, expiração, inspiração, paixão, fé, desejo, sonho, loucura, pioneirismo, projeto, alquimistas, mapas, futuro, luz de vela, carvão, cores amarronzadas, vinho, química, prazer, satisfação, desapego, liberdade.
Rádio – som, ondas, planetas, desenhos, máquinas, aviões, casas, torres, vidas, janelas acesas em uma maquete, cama, sono, solidão, espaço, júpiter, saturno, campos eletromagnéticos, eletrostática, frio, gelo, estrelas, solidão, vento, rasgo, corte, facas.
domingo, 8 de março de 2009
Estudo sobre os Rondós de Silva Alvarenga
Vendo agora, eu falei mais sobre o rondó de Silva Alvarenga, vou estudar mais as “outras formas dessa forma”, e postarei posteriormente.
O rondó, forma poética medieval francesa, tem sua notabilidade com Guillaume de Machaut, Eustache Dechamps, Charles d'Orleans, devendo, originalmente, ser destinado ao canto e consistindo de três estrofes, com um total de doze e quatorze versos e o esquema das rimas recorrentes. Variando o números de versos e o esquema das rimas, o verdadeiro apoio fonético que em breve o caracterizaria passou a ser a repetição do primeiro verso ao fim da segunda estrofe e ao fim da terceira estrofe, isto é, do rondó. Variação subseqüente, que se pode chamar rondel, consistiu em repetir, em numero maior de versos, o primeiro verso pela altura do oitavo ou de um dos seguintes versos e no fim do poema.
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Os rondós de Silva Alvarenga representam um fim de evolução da forma, com estrutura sensivelmente diferente. Consistem, quase todos, em quatro grupos de três quadras, sendo repetida a primeira quadra, em forma de estribílho, no início de cada grupo assim como no fim do poema – o que totaliza, por conseguinte, quinze quadras ou 52 versos. Discrepam dessa estrutura estrófica o rondó XLIII, que consiste de sete grupos de três quadras, terminando cada grupo pela mesma quadra, em forma de estribilho; o rondó XLIV, com uma quadra inicial, seguida de um estribilho em forma de dístico, ao fim, num total de doze quadras, com o dístico repetido sete vezes; e os rondós XLV, XLVI e XLVII, que consistem de duas quadras, seguidas de dístico, mais duas quadras, seguidas do dístico.
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O verso, na grande maioria dos rondós, é heptassilibado, redondilho maior, salvo os do rondó XVLIII, que são pentassilibados, redondilhos menores, e os do rondó XLIV, hexassilibados.
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(quero saber que tipo de antologia é essa que não pôe os poemas que ela cita!)
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Esquema rimático,
Sobre o feno recostado(a)
Descansado(a') afino a lira(b)
Que respira(b') com ternura(c)
Na doçura((c') do prazer(d)
Amo a simples Natureza:(e)
Busquem outros a vaidade(f)
Nos tumultos da cidade(f)
na riqueza(e') e no poder(d)
Acredito eu que fica de melhor só a rima principal no rondó(e), venha a ser aguda, e as demais em sua maioria graves, isso dá mais relevância e destaque ao efeito do rondó, ou talvez o contrário, sendo ela grave e as demais agudas, mas ele teria de ser mais curto.
O Amor
Rondó XLIII
Meu peito se inflama,
Ó ninfa, socorro,
Piedade, que eu morro
Na chama de amor.
Se os dias serenas
Com doces vitórias,
Serão sempre glórias
As penas de Amor.
Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.
Triunfe a ternura
Nas cordas da lira,
Que branda me inspira
Doçura de Amor.
Dá fim aos desgostos
Que nutre o receio,
E anima em teu seio
Os gostos de Amor.
Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.
Por ver, que te agrava
Meu terno gemido,
O tinha escondido
Na aljava do amor.
Mas entres pesares
Suspira, e te roga
Confôrto, e se afoga
Nos mares de Amor.
Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.
Cantou passarinho,
Com voz lisonjeira,
Que viu na mangueira
O ninho de Amor.
Alegra os rochedos,
E aprende desta ave
No canto suave,
Segredos de Amor.
Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.
O monte me escuta
Respondem as brenhas,
Que busque nas penas
As grutas de Amor.
As mágoas contemplo
E a dor, que me cansa:
Envio a Esperança
Ao templo de Amor.
Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.
Vem ver nestes vales
Os mimos de Flora,
E o trsite, que chora
Os males de Amor.
Respire a minha alma,
Que geme, que espera:
A ganhe em Citera
A palma de Amor.
Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.
Se amante anuncias
Prazeres ditosos;
Serão preciosos
Os dias de Amor.
Ah deixa os rigores,
Dar-te-ei, Glaura bela,
Em nova capela
Mil flôres de Amor.
Enxuga meu prato,
que fráguas acende:
O Céu já se ofende
De tanto rigor.
Sei que pelo fato de Silva Alvarenga seja parnasiano que eu falar sobre ele ou estudar a poesia dele é um tanto inadequado, como a maioria das pessoas veem. Mas a forma de seu rondó me agrada e é a que eu uso, que possivelmente farei algumas modificações ao meu ver, de melhor maneira, tornando-a mais elástica. Mas em suma isso fora sobre a forma do rondó do Sr. Alvarenga, isso não significa que você vá ficar escrevendo sobre a Glaura em uma inspiração psicótica sobre uma vida que não é sua. O rondó não tem limitação de tema, pois ele pode ser até mesmo um epitáfio(se caber na lápide...), logo o Epitáfio tem limitação pois ele é classificado de acordo com o tema e ocasião.
Nossos Clássicos
-----Nº 24-------
Silva Alvarenga
------Poesia-----
--------por-------
Antônio Houaiss
----2ª Edição---
----1968---
**
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sexta-feira, 6 de março de 2009
Metro Part.1
Minha intenção não é um trabalho acadêmico nem realmente demonstrar alguma habilidade pessoal, apenas esclarecer algumas dúvidas e expor algumas opiniões. Esta é a parte 1, coisas mais complexas ao meu ver eu vou colocar na segunda parte, no porvir de tempos mais distantes, onde talvez, alguns tenham aprendido ou entendido algo disso tudo. Espero ajudar em algo com isso... Não sou um bom professor.
Em suma, isso não é algo realmente sério, apesar de ter um embasamento didático.
Fontes, livro:
- Nossa Gramática, Teoria e Prática de Luiz Antonio Sacconi.
- Fotocópias que tirei a muito tempo e não me lembro o nome do livro.
- Minha mãe.
- Experiências Pessoais, Sistema Nervoso de Geleiras.
O Verso Clássico
A base de tudo, na criação do universo, para que as cadeias de eventos existam, originou-se o tempo.
No dicionário: sm 1. A sucessão de anos, dias, horas, etc., que envolve a noção do presente, passado e futuro. 2.Momento ou ocasião apropriada para que uma coisa se realize. 3. Época, estação. 4. As condições meteriológicas. 5. Gram. Flexão indicativa do momento a que se refere a ação ou estado verbal. 5. Mús. Cada uma das partes, em andamentos diferentes, em que se dividem certas peças musicais, como, p.Ex. A sonata.
Pois bem usaremos o tempo na poesia, em todas as formas ali. Porém, um dos elementos que vai ser realmente o tempo da poesia é o metro e o ritmo. O metro(ou “pés”) é o numero de silabas no verso, para que aja assim o ritmo que posteriormente vamos estudar. Eu não vou me ater a nomes bonitinhos pois para mim isso só vai ser útil mais tarde. Antes você deve saber fazer para depois meter banca.
Métro, ou Pés
Começaremos com o mais simples, ao contrário das silabas que aprendemos na escola, ou não, no meu caso. Elas são contadas /as/sim/ al/go/ e/nor/me/men/te/ o/pos/to/ ao que seria o metro poético, /as/sim/ al/go e/nor/me/men/te o/pos/to ao/ ou/tro.
A contagem das silabas métricas se faz auditivamente e obedece certos princípios.
Quando houver vogal no fim de uma palavra e outra no início da palavra seguinte, formando ditongo(sorvete amargo = sovertiamargo; campo alcacifado = campualcacifado; ou crase: minha alma = minhalma; santo orvalho = santorvalho), conta-se apenas uma silaba.
No verso se faz até a silaba tônica da última palavra, digamos: hi/po/pó/tamo (no caso um esdrúxulo); sau/da/de (grave); es/ta/ções que é então, o agudo. A variação dessas rimas no poema, quando não forçadas, pode dar uma sonoridade um pouco mais rica, mas repito, quando não forçada. Esperimente e veja que tipo de impacto que elas dão.
Em casos de ditongos, em geral formam apenas uma sílaba metrica: Pá/tria/; quei/xu/me/; a/cor/dou.
No caso dos hiatos, se forma o contrário, pois a tônica se encontra depois, logo se sente uma quebra por assim dizer: sa/bi/á, hi/a/to, ru/í/do.
Vamos encandear essa trova:
Es/tu/dan/te/, dei/xe os/ li/vros,
e/ vol/te/-se/ pa/ra/ mim/;
mais/ va/le um/ di/a/ de a/mo/res
que/ dez/ a/nos/ de/ la/tim.
(popular)
Note que são todos sete sílabas métricas, heis ai um heptassílibado, ou rendondilha maior. No terceiro verso, pelo que se dá a entender, no di/a, se encontra uma diérese: que é a transformação de um ditongo em hiato. Esse processo fonético é algo que vamos estudar a seguir. Antes eu recomendo um pouco mais de treino, escrevendo ou encandeando, que é isso que acabamos de fazer com a trova.
- A crase; É a fusão de duas vogais numa só. Ex:(mi-nhal-ma = Minha alma; santo orvalho = san/tor/va/lho).
- A conhecida elisão(ou sinafela): É a queda da vogal átona final de uma palavra, por exemplo: Canta um = Cantum; minha infância = minhinfância. Quando o poeta não quer usar isso, geralmente costuma-se usar um “-” entre as palavras (canta-um), isso recebe o nome de diálise.
- Ditongação: é a junção de uma vogal átona final com uma seguinte, formando ditongo: soverte amargo = sovertiamargo; campo alcacifado = campualcacifado.
- Sinérese: é a transformação de um hiato em ditongo, ex: Crueldade = cruel-da-de, violeta = vio-le-ta.
- Diérese: é justamente o oposto, vide a trova.
- Ectlipse(!!): é a queda de um fonema nasal, para que haja crase ou ditongação. Como dizia camões: (“ Mas co saber se vence que co braço.”) Outro ex: com os = cos; com a = coa; com as = coas.
- Aferese: é a queda de sílabas ou de fonemas iniciais, Ex: inda(em vez de ainda), 'stamos (em vez de estamos).
- A Símcope: é a queda de um fonema no meio da palavra. Ex: Espr'ança por esperança ou dev'ria por deveria.
- Apócope: é a queda de um fonema no final da palavra, Ex: mármor por mármore ou cárcer por cárcere.
- Prótese: é a colocação de um fonema no início de uma palavra: Alevantar por exemplo, no lugar de levantar.
- Paragoge; é o acréscimo de um fonema no final de uma palavra, Ex: Mártir por mártire, ou cantare por cantar.
- Diástole: é a deslocação de um acento para a silaba seguinte: Artifices por artífices, alacre em vez de álacre.
- Sístole: é o inverso da diástole; deslocação do acento para a sílaba antérior, Ex:Dário ao invéz de Dario, calmária ao invés de calmaria.
- Métatese: é a transposição de um fonema na própria palavra, Ex: vairo ao invez de vário, cousa por coisa, rosairo por rosário. Usado em maioria apenas por exigências de rima.
O uso desses recurso pode dar uma graça ao seu trabalho, porém, devemos admitir que o exagero pode levar o poema ao inteligível, ou ao excêntrico... Talvez, seja essa a intenção do autor, logo, bom proveito.
Ritmo
O ritmo é a graça da poesia, é dela que se sai o som, podendo lidar com a velocidade o peso e muitas outras cocitas más que o autor-poeta irá descobrir ao longo das eras...
Não vou me ater a coisas como regras na colocação das tônicas ao longo do verso e coisas do tipo, que fique isso ao seu encargo e curiosidade. O que eu irei fazer é apenas dar o empurrãozinho inicial, como à quem monta numa bicicleta pela primeira vez.
“Tanto limão, tanta lima,
tanta silva, tanta amora,
tanta menina bonta...
Meu pai sem ter uma nora!”(popular)
Tan-to -li-mão, - tan-ta – li-ma,(1ª, 4ª, 7ª)
tan-ta- sil-va, -tan-ta a-mo-ra,(1ª, 3ª, 5ª, 7ª)
tan-ta -me-ni-na- bo-ni-ta...(1ª, 4ª, 7ª)
Meu- pai- sem- ter- u-ma – no-ra.(4ª,7ª)
“Já serena desce a tarde,
Já não arde o sol formoso:
Vem saudoso o brando vento
doce alento respirar.”
(Silva Alvarenga, Rondó XX, A Tarde)
Já - se-re-na- des-ce a -tar-de,(1ª,3ª,5ª,7ª)
Já- não- ar-de o -sol- for-mo-so:(1ª,3ª,5ª,7ª)
Vem -sau-do-so o -bran-do -ven-to(1ª,3ª,5ª,7ª)
do-ce a-len-to -res-pi-rar.(1ª,3ª,7ª)
Nota-se, se você der ênfase nas tônicas sentirás a sonoridade, o ritmo. Antigamente a música e a poesia eram uma só, dizem, ou talvez, era como os repentistas de hoje, do sul ao norte do país. Justamente as provas vivas de que a poesia não é algo pessoal para ser lido no livro apenas.
Mas, dizem, fora essa mescla separada pelos romanos, como se pode ver, tudo que é ruim veio dos romanos, como o mercado automobilístico por exemplo.
Pois bêm, são as tônicas da palavra e sua colocação ao longo do verso, e sua repetição aos demais, a mudança de ordem, no decorrer do poema, pode gerar uma quebra, boa ou não, dez que devidamente feito. Podendo mudar a velocidade acelerando, ou não.
Lembre-se que na música um dos elementos que a faz ser ela mesma é a repetição, é o que dá a simetria e a perfeição, mas uma musica muito repetida pode vir a ser monótona. Logo um poema muito extenso sem variação no ritmo e no metro pode gerar algo cansativo. A questão é, estude escrevendo e lendo em voz alta, as diferentes possibilidades e misturas e veja a que mais lhe agrada para determinado poema. E muitas outros elementos você pode usar alem, é o que veremos a seguir.
Rimas
As rimas, ao contrário do que a maioria pensa, não é a parte mais importante da poesia. Ela também se resume a repetição. Essa obrigatoriedade de rimas perfeitas aos olhos, está mais para uma histeria parnasiana do que realmente para uma obrigação. Dês que elas não sejam, digamos, fracas como verbos no infinitivo, ou sempre de uma classe gramatical. Mas isso não significa que você não deva usá-las. Mas use-as com moderação. Nimbos, e lindos tem a mesma sonoridade, nisso, elas podem vir a rimar. A mesma coisa que cisne e tisne, que são rimas raras, mas isso não significa que devas usá-las sempre que possível.
A rimas podem estar nas mais variadas localizações possíveis.
Tudo enfim, cabe a criatividade e ao som.
Mas vamos seguir alguns exemplos.
Toantes, Sonantes e aliteradas.
- As toantes apresentam identidades somente nas vogais tônicas: lúcido e dilúcido, árvore e pálido, boca e boa.
“Molha em teu pranto de aurora as minhas mãos pálidas
molho-as. Assim eu as quero levar à boca,
em espírito de humildade, como um cálice
de penitência em que a minha alma se faz boa...” (Manuel Bandeira)
- As consoantes são as que rimam de igualdade total a partir da vogal tônica: Menino, tino, albino; casa, asa, brasa; percevejo, desejo e por assim vai.
- Aliteradas são as formas que dizem como rudimentar, são as que rimam na primeira consoante. Pode-se encontrar na poesia mais famosa, (Depois do hino nacional e o hino da bandeira.) de nosso pais: A “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias.
“Não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá;
sem que desfrute os primores
que não encontro por cá;
sem qu'inda aviste as palmeiras
onde canta o sabiá.”
Masculinas e femininas.
- São as rimas oxítonas as masculinas, e as de palavras paroxítonas são as femininas. Tais denominações, são da poética medieval, dos trovadores galaico-portugueses. As esdrúxulas não tem denominação. A alternância das rimas masculinas e femininas é de rigor na poesia francesa, e como é de se esperar, já fora usada por muitos poetas brasileiros, na belle época, que na época era a classe alta imitar a francesada, hoje todo mundo quer é ser inglês, até mesmo os argentinos.
Pobres, Ricas, Raras e Preciosas
- As rimas pobres são as rimas provenientes da mesma classe gramatical, ou de palavras comuns. Ex: Pobremente, deprimente. Coração, irmão. Criado, matado. Sonhador, dor. Mar, voltar. E assim por diante.
- As ricas já são justamente o contrário, com palavras de classes gramaticais diversas, ou as de uso inusitado. Ex: Vibra e libra, fosco e tosco, sonha e fronha, assumes e lumes, dele e aquele.
- Raras são aquelas de poucas possibilidades de rimas, como tisne e cisne, turco e murco, furco, urco e algumas formas verbais.
- Preciosas são as rimas artificiais, forjadas com palavras combinadas, tais como múmia com resume-a, pântanos e quebranta-nos, lâmpada e “estampa da”, “lírios e delir e os”. Com criatividade e moderação, é claro.
Localização:
Darei ênfase apenas no momento, às rimas encadeadas e as rimas Iteradas. São as rimas encadeadas as quando a ultima palavra de um verso rima com outra no verso seguinte.
Ex:
“Ouve, ó Glaura, o som da lira,
Que suspira lacrimosa,
Amorosa em noite escura,
Sem ventura, nem prazer.”
Silva Alvarenga
Já as Iteradas são as que se repetem no mesmo verso:
“Donzela bela, quem me inspira a lira
um canto santo de fremente amor,
ao bardo o cardo da tremenda senda
estanca arranca-lhe a terrível dor!”
Castro Alves.
Outras Cocitas Mas
Heis aqui alguns exemplos que podem lhe gerar idéias, qualquer elemento usado, se bem usado, tanto figuras de linguagem como qualquer outro meio, pode dar uma graça ao seu poema, como um tempero exótico ou até mesmo como uma cobertura de um bolo.
Calvagamento: Recurso do qual o sentido do verso não finda nesse próprio, como nesses versos de Olavo Bilac: “Pátria, lateja em ti, no teu lenho por onde
Circulo! E sou perfume, e sombra, e sol e orvalho!”
Serve tanto para dar ênfase á uma determinada como também para evitar um certo cansaço em poemas longos, apesar de que sua utilidade pode ter inúmeros fins.
Aliteração: É a repetição de tônicas ou de uma letra.
“Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias de violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas vãs, vulcanizadas” Cruz e Souza.
Nota-se aqui a aliteração com sentido de sugerir o sussurro do vento.
“Sou um mulato nato do litoral” Caetano
Caso das tônicas.
domingo, 1 de março de 2009
Algumas Formas

Tu foste as cores dos planetas,
dos pendurados no meu quarto
tu foste as luzes, foste feita
de todas cores dos planetas
tu foste os mundos, a luneta
que mostra os mundos no qual parto,
tu foste as cores dos planetas,
dos pendurados no meu quarto.
Tempestades
No céu furioso, cinza e azul
rugiam estrondos incessantes
e desciam uivos sufocantes
pelas legiões que vem do sul.
De mares frios, de muito antes,
de olharmos para mundo algum
no céu furioso, cinza e azul
rugiam estrondos incessantes.
E se arrastando em vento sul,
vão por oceanos, retumbantes
por continentes e nenhum
pôde ver as almas fascinantes
no céu furioso, cinza e azul.
Miragem
Fachos de luzes cercam a lamparina,
em seus desejos dançam corrompidas,
ímpias seduzem, todas seduzidas,
as mariposas voam! Essas meninas...
Fadas singelas velam esmaecidas,
e crepitando soltam sua morfina
cá nos meus olhos podres! Me fascina,
a delicadeza opaca das perdidas.
Tais mariposas deixam suas escamas,
nos delicados toques de meus dedos,
como se fosse leve maquilagem...
Tais mariposas queimam em suas chamas,
apaixonadas perdem seus segredos,
para morrer na estúpida miragem!
Rondó
Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.
Em um berço, no balanço
dorme um anjo tão sozinho
muito frágil o garotinho
no descanso de algodão.
Dorme o anjo no enfadonho
do balanço, cobertores
nos ursinhos protetores
nos seus sonhos que se vão.
Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.
Essa bruxas almas levam
das criancinhas nas suas casas
dos quais dormem sob a brasa
que conservam no pulmão.
Essas brasa são os afagos
que suas mães lhe embalaram
para um sono que cavalgam
sob os lagos da ilusão.
Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.
Ninguém sabe o paradeiro
dos pequenos desalmados
são vendidos ou trocados
derradeiro de um leilão.
Ou são todos devorados
em feitiços carniceiros
ou talvez valem dinheiro
de endiabrada transação.
Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.
Elas rondam qualquer canto
de qualquer casa ou família
expiando com malícia
procurando refeição....
No Desterro e nestas noites
em que os tempos enterraram
tantos contos apagaram
nos açoites da razão.
Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.
Aqui estão uns poemas mais antigos... De tema semelhantes, mas algumas formas de poesias diferentes. Na verdade estas foram mais estudos.
Um triolé, que é uma oitava com o mote que são os dois primeiros versos, que se repetem num esquema AbaAabAB, que funciona melhor com versos curtos, é bastante sonoro, e mais intenso, é bom para coisas como epitáfios, versos apaixonados ou de qualquer sentimento intenso. Ao meu ver.
O Rondel, também vale da repetição, só que maior, tenho a impressão ao ler um rondel como pessoas duas talvez, dançando em roda. Ta, cega de viajar. Digamos, ele dá voltas, e é isso, e termina como começa, só que indo muito além, em um loop(acho que é isso). É uma forma bastante sonora mas pode se tornar apática se não souber usa-la... O esquema é assim ABba baAB ababA, de preferência com versos curtos.
O Soneto, é uma caixinha, daquelas em que você dá corda e sai uma surpresa, o que realmente importa no soneto é os dois últimos tercetos e a dia. A alma dele está no desenvolvimento da idéia. Ele está vivo até hoje mais pelo fato de que ele vive pela idéia, não em si por intensidade de sentimento ou coisas assim, apesar de que ele pode ser muito mais intenso se você assim o quiser e for capaz.
Rondó, muito confundido com o rondel, mas na verdade é bem diferente, o exemplo que uso é o rondó francês, geralmente composto de um verso inicial, de rimas intercaladas.
“Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.”
E de um seguimento geralmente composto de duas estrofes, do qual a ultima rima é a ultima rima do inicial, exemplo
“No Desterro e nestas noites
em que os tempos enterraram
tantos contos apagaram
nos açoites da razão.”
Sendo que o primeiro verso tem um rima interna com o ultimo verso da estrofe, no geral é isso, ele é mais uma forma musical do que qualquer outra coisa, muito bom de se pegar um ritmo e de cantar assim sem mais nem menos. A base dele é isso aliás, como se fosse uma letra de música, aliás, poesia é em si letra de música, pelo menos hoje em dia só mais na parte “popular/regional” como os repentistas, cantadores do sertão e o samba por exemplo. Procure por Chico Buarque e Elomar aliás.
Pois bem, qualquer coisa, siga os exemplos que fiz, e no caso do rondó leia Silva Alvarenga, soneto leia os parnasos e simbolistas, com Cruz e Souza e Olavo Bilac, aliás nesse você pode encontrar exemplos de rondels e triolés, e triolés em Cruz e Souza também.
Mas em geral pesquise e leia muito dos antigos, porque eles dão idéias do que inovar em cima deles.
Por hoje foi só... Boa noite.
Aliás, o link do blog de onde tirei a foto. (link) . E os poemas são mais antigos, possivelmente do Blog anterior antes de eu trancar ele e recomeçar outro.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Palavras

As palavras são almas que estão presas,
em um mundo sem forma, sem certezas,
seus mistérios são o nada, ton silente,
sem um peso que ao mundo se contente.
São uns inópios e informes e somente
vão existir esperando tão impotentes
um destino e um sentido, que a destreza
de um poeta as entregue a correnteza.
Correnteza das linguas infindáveis,
dos sentidos volúveis, dos viajantes
contadores de histórias e escritores.
Bem acabam se unindo as multidões,
tal criânças de inócuos corações,
vão se unir às belezas e aos horrores.
Feito para um amigo meu, talvez, vou mandar esse soneto para ele fazer uma sátira em resposta. Espero que gostem dele.
Abraços.
A idéia em si é brincar com as silabas nasais, as abertas e as fechadas... Mias sobre isso eu estou escrevendo sobre, logo logo eu posto uma matéria aqui.
Até.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Sonetos de “Praias de Minha Terra” - Araújo Figueredo
Cena Real
Rita fora tirar mariscos ao mar-grosso,
Para dar de comer aos pequeinos filhos
Que eram, do seu amor, os mais fortes cadilhos
Numa pobreza atroz, de sombras de arcabouço.
Prendeu um samburá à curva do pescoço,
E buscou do rochedo os últimos rastilhos,
Temendo o grande mar que, em cada vaga, trilhos
Abre a cada momento. E cada vaga é um poço.
Mas uma vaga veio; e mais outras... Montanhas
De água vieram... E treme o seu peito de estranhas,
Profundas emoções! Ei-la, agora, rolando
Por êsse mar revolto! (Ah! Tristíssima cena!)
Com um trapo da saia ela, cheia de pena,
Diz aos filhos adeus, e êstes choram, gritando!...
Suicida
Do bordo do lanchão pôs-se a fitar o espaço,
Que tão cheio de luz se achava! Quantos astros,
Quantos mundos rolando, enlaçados em nastros,
Da eterna vibração, no infinito compasso!
Quis estender ao céu o seu pequeno braço,
Mas recuou porque, muito distante, os rastros
Dêsses mundos de luz lhe dariam cansaços;
E êles não são, por certo, os santelmos mastros...
-Quem pudesse morrer! (Disse êle) e, nesse instante,
Olha as águas do mar e vê um céu faiscante;
E dentro dêsse céu, a gôndola da lua...
Arroja-se de chofre, então, ao mar e morre,
mas, por tôda a enseada, uma lenda ainda corre:
Dizem que a alma do Zé nas ânsias continua...
Ilusão
Sopra rijo o nordeste. Anselmo vem à popa
De um leve batelão. Vem, contente, a cantar...
Nem se lembra que está sobre as ondas do mar:
E, destemido, d'água o largo pano ensopa.
A leve embarcação embaraços não topa,
Metida a quilha ao vento... É um passaro a voar...
Rumo da praia irá, num seio descançar,
De bôjo para cima, embutido de estôpa.
Mas , junto ao Cambirela, onde há um precipício,
Que a tanta gente dá o eterno sacrifício
Da morte, ei-la emborcada, a leve embarcação.
E nunca mais ninguém viu o pobre Anselmo:
Menos quem o tanto amou, e, na luz do santelmo,
Parece vê-lo sempre... E crê nessa ilusão!
A Rendeira
Que lindas rendas faz a saudosa rendeira,
Que horas passa sentada ao correr do portal,
De onde escuta a carriça a chilrear na lareira,
E o canário a chilrear no flóreo laranjal!
Aprecio-lhe o gôsto e a sublime maneira
Com que faz tanta renda, assim, para o enxoval,
Vai casar-se na ermida alegre da ladeira,
E fêz, duma camisa, um lírio original.
No momento em que a vi, a tarde feiticieira
Era uns veios de luz piedosa, espiritual...
E chegava da pesca uma leve baleeira.
Houve, então, um rumor de beijos no quintal...
E em cada humilde e bom olhar dessa rendeira
Cantava a rima azul de um sonho virginal.
Sonetos tirados do livro “Praias de Minha Terra” de Araújo Figueredo
Hoje se tem apenas, talvez uma rua acho... E alguns centros Espiritas com o nome dele, creio eu que além de poeta de vanguarda do simbolismo aqui em Desterro e no Brasil, amigo de Cruz e Souza, fora também um dos principais nome, na epoca, do Espiritismo aqui na ilha. Dizendo até que ele fora médiun, o que não posso dizer realmente, mas lendo alguns sonetos dele, pode-se levar-se a essa idéia.
Na epoca de Othon D'eça, de acordo com o livro”Homens e Algas” deste autor, não me lembro bem em qual cemitério em que fora enterrado, que seescuta ainda alguma voz a cantar no local, do qual ninguém sabe de onde veem, se mesclando com a paisagem, voz que atribuem ao poeta. O imortal Araújo Figueredo, uns dos maiores poetas da Ilha, que cantou sobre e para a Ilha, gravando então a memória de um tempo que já se fora em quase toda parte da ilha. Onde o mar não era um amiguinho de surfistas e turistas. De origem simples fora ele. Logo, como se pode ver, não é de se admirar que não se tenha edições novas dele, e que ele esteja se esvanecendo do conhecimento popular, pois, como tantos outros, ele mostra uma ilha que muita gente hoje em dia se preucupa em maquiar. Pois deve sobressair a imagem de uma ilha de veraneio bonita, com belos coqueiros e verão o ano inteiro. Não o que ela realmente é, uma Ilha de Mistérios, de História e de Tempestades.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Livro Fechado de Oswaldo Cabral - Alcides Buss e sobre a revista Pantanal, e a Biblioteca Nacional
A velha Desterro emerge
nas ruas da nova cidade.
Hercílio Luz,
Gama D'eça,
Dias Velho...
A vida recomeça!
Ninguém a vê (mas
eretas figuras se aguçam
à espreita de antigos navios
ancorados na tarde.
Furtivos, trocam olhares.
Depois, sob o manto
da noite, algo cansados,
penetram em silêncio
nas linhas da história).
Alcides Buss
Professor da Ufsc, e poeta.
Tirado da última pagina da revista Pantanal.
Ano VII – Nº 16
Agosto de 1987
Estou também, na verdade folheando e tirando coisas de meu interesse, não necessariamente lendo, o livro, A Nossa Senhora do Desterro 2: Memória, de Oswaldo Rodrigues Cabral. Do qual, pelo pouco que folheei, encontrei verdadeiras preciosidades sobre a história dessa ilha, personagens e casos que dariam boas histórias, além dos casos clássicos conhecidos.
Sobre essa revista Pantanal, pois bem, eu estava trabalhando como voluntário na Biblioteca Livre do Campeche, Bilica. Apareceu lá um homem que disse que ia fazer uma doação, logo fora aceito, é claro, e ele apenas deixou lá, sem dar tempo de ser identificado, como deveria, para o nome dele ficar lá... Acredito eu, ou fora dito o nome... Na verdade acho que fora dito o nome. Ou fora outro?Foram duas doações no dia...
Essa revista, pela data e pelo conteúdo achei deveras interessante, mais por mostrar uma parte da nossa história e nomes que talvez eu visse em livros ou não. Fiquei com medo dele ir para a reciclagem, e pedi se podia ficar com ele, de uma forma de dizer meio travada, é claro, porém acabei ficando.
Eu li a maioria dos contos nessa revista e nenhum deles eu reprovaria, muito bons aliás, fora dos chavões convencionais. Dentre eles o primeiro que eu li me causou maior impacto, que fora “Não foi bem assim...” de Ademir Neves, fantástico, Trabalho Premiado no 20º concurso internacional de Los Angeles.
Essas revistas, por desconhecimento, muitas vezes acabam parando na reciclagem ou em gavetas esquecidas. Mas elas, para mim, apontam com mais precisão um período de nossa história e memória do que muitos livros sobre o assunto.
É fantástico imaginar, que muitas dessas revistas ou folhetos independentes possam estar em algum sebo ou biblioteca, assim, desavisado em meio a tanto livros, fora dos registros... Talvez um daqueles folhetos à atriz Julieta dos Santos, escrito pelos principais nomes do Simbolismo de Desterro, talvez quem sabe, esteja em alguma gaveta perdida por ae, embaixo do assoalho de uns daqueles casarões... É de certa forma reconfortante imaginar isso... Como os tesouros e seres sobrenaturais nos livros que eu lia quando pequeno.
Mas medo eu tenho, de que muitos profissionais despreparados ou preconceituosos acabem se desfazendo desses exemplares, enquanto invejam um grupo de bibliotecários na Inglaterra que acharam manuscritos de Byron em um livro...
Foi fantástico também quando eu soube por meio de minha ex-namorada da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, e dessa “sobrenatural” lei federal do ano de 1907, até hoje em vigor, que criou a obrigatoriedade de se remeter a BN um exemplar de qualquer publicação feita no Brasil. Lei do Depósito Legal... Esse tesouro deve ser desconhecido por uma enorme parcela da população, sendo, no fim das contas, um dos maiores tesouros de nosso povo. De nós. É a garantia, de todo escritor desse pais, de deixar um legado, mesmo que singelo, para o futuro. Talvez, se Deus quiser, um exemplar de meus futuros livros, dentre eles As Legiões, e Carrossel, acabem lá, assim, pelo menos alguma coisa valeu apena. Mesmo no meio de um numero gigantesco de outros autores...
Pelo menos,
em algum lugar,
eu tenho um pouco de esperança de que sejam guardados...
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Estudo Com Verso Livre

Seus dedos são cinzas frias
que se despedaçam ao toque,
passou muito tempo no quarto
pensou muito tempo na morte,
agora és cinzas frias,
Frias no sobrenome.
E se despedaças ao vento
que sempre te quer bem,
barcos viram ao seu conforto,
tempestade para dormir,
depois de um café frio
como teu sobrenome,
feito de tempestades
para dormir,
em dias de frio.
Eis uma tentativa, de certa forma é útil, porém, ele está mais para a leitura que para a horação...
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Mãos Cansadas
As minhas mãos cansadas,
de descrever as coisas,
só querem ser mais reais.
As minhas mãos exaustas,
querem tocar sua boca,
querem ser mais... Normais.
Pois só descrevem coisas,
e letras não são reais,
são coisas fantasiadas.
As minhas mãos cansadas,
odeiam viver de histórias,
querem ser mais... Iguais.
A vida tão merencória,
daqueles que nas letras
morrem sem mais nem menos.
As minhas mãos, ao menos,
querem ter a notória,
sina de serem mais.
Querem tocar sua boca,
não descreverem coisas,
querem beijar... Seus dedos.
