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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Varios Simbolistas


Alguns poetas da fase simbolista, ou que participaram dela. O simbolismo fora uma resposta ao parnasianismo, assim como o parnasianismo fora um resposta ao romantismo, apesar de que estes três em muitos autores andam juntos, como em Cruz e Sousa, parnaso-simbolista por exemplo, ou Luiz Delfino que passou pelas três fases. Olavo Bilac que muitas vezes andou pelo romantismo e pelo simbolismo também. Dizer que um escritor, por exemplo Cruz e Sousa é apenas Simbolista ou Parnaso, ou cuspir em toda a obra de Olavo Bilac (como muitos fazem) por causa dele ter feito parte do movimento parnasiano é digamos, estupidez! O que vale é a obra em si do autor e classificar alguém só pelo movimento que fez parte é bobagem. No simbolismo se vê muita tendencia ao modernismo, além do quê, o verso livre começou foi no simbolismo. E muitos modernistas como Drummond e Manuel Bandeira fizeram sonetos com um rigor técnico muito equivalente aos parnasos.

O meu concelho é, estudar a literatura indo além dos preconceitos que se aprende na cartilha do MAC. E ler mais a literatura inclusive a poesia nacional, pois na poesia não se lê o poeta estrangeiro em português, se lê o poeta tradutor escrevendo uma versão da idéia do poeta. Logo eu prefiro as edições bilíngües... Acho que todos preferem.

Mas bem voltando ao assunto, poetas nacionais da fase simbolista, sendo que se pode ver: Idéias em comum mas eles não são as mesmas coisas. Pois cada escritor é único.

Castro Meneses (1883 - 1920)

Cruz e Sousa

Vieste como o cansim dos areais africanos,
Ébrio ainda do sol que requeima o deserto,
Tentar, em pleno espaço, os vôos sôbre-humanos
Dos anjos e lutar de peito descoberto.

Vieste da solidão dos tormentos insanos
À procura da luz de um grande sonho incerto,
Tendo por voz amiga o clamor dos ocenaos
E por tenta o alto céu sôbre tua fronte aberto.

Rebramiu sôbre ti um anátema eterno.
Mas, indômito e só, velho titã glorioso,
Transpuseste, sorrindo, os círculos do Inferno...

E, esboçando na sombra um ríctus mais tristonho,
Ficaste, como um deus, vencido e silencioso,
Emparedado, enfim, dentro do próprio sonho...

José de Abreu Albano (1882 - 1923)

Cantiga 1

Nestes sombrios recantos,
Nestes saudosos retiros
Desliza um rio de prantos
E corre um ar de suspiros.

Volta

Tenho na alma dois moinhos,
Um é de agua, outro é de vento;
Ambos juntos e vizinhos,
Estão sempre em movimento.
E giros tantos e tantos
E tantos e tantos giros
Dão ao primeiro os meus prantos
E ao segundo os meus suspiros.

Álvaro Moreyra (1888-1964)

Lenda

"Não colhas essas rosas.
As rosas,
Irmãs na terra das estrêlas,
São mais lindas nos olhos que na mão,
Contenta-te com vê-las,

Deixa-as na haste,
Côr de púrpura e ouro,
Se as colhêres, as rosas morrerão"

Não quis ouvir o teu agouro.
Colhi tôdas as rosas que nasceram
Nos caminhos por onde me levaste.
E as rosas não morreram...

Epitáfio

Acreditei na vida. E a vida em mim. Depois
Desandamos a rir de nós ambos os dois...

Eduardo Guimaraens (1892 - 1928)

Embalo Fúnebre

Sob os ciprestes,
Dormem os mortos.

Dormem os mortos
À luz da lua.

Pálida lua,
Gélida lua!

Soluça a bôca
Do que ainda vive.

Oram mãos postas
Pelos que dormem
(Silêncio!) o sono
Da terra, eterno.

De bôca em bôca,
Lúgubremente,
Passam os réquiens
Pelos que dormem
Sob os ciprestes.

Vaga a saudade
Pelo siêncio
Da noite fria.

Oram mãos postas
Por quem não vive.
Pálida lua,
Gélida lua!

Vê: Também morto,
Sinto o meu sonho!

Ora por êle,
Pede por êle.

Noite sem astros,
Ora por êle.

Inocência

Inocência das cousas. Pura
Suavidade
Da alva que surge. Paz, frescura,
Símplicidade!
Nitidez do orvalho. Profundo
Céu. Ri-se a aurora...
Milagre. Dir-se-ia que o mundo
Nasceu agora!

Marcelo Gama (1878-1915)

Chuva de Estrelas

Li uma vez em páginas antigas
Que se uma estrêla cai do céu clemente,
Concede tudo o que lhe pede a gente.
Como as estrêlas são nossas amigas!

Por isso agora, insone e sem fadigas,
Fito os céus tôda a noite atentamente.
Chovem estrêlas... E eu: - "Astro fulgente,
Que que eterno o nosso amor predigas!

- Faze-me bom! Conserva-lhe a doçura!
- Estrêla, dá-nos paz! serenidade!
- Que a nossa filha seja linda e pura!"

Doiradas ambições! Como dize-las,
Se elas são tantas?! Deus, por pieade,
Manda que caiam tôdas as estrêlas!

Onestaldo de Pennafort (1902 - ?)

Chuva

A chuva entorna na paisagem calma
Uma indolência de abandono e sono
Paisagem triste como a de minha alma...
A chuva é um longo sono de abandono...

Olho atravéz do espelho da vidraça.
Dorme o jardim sob soluços d'água.
Na rua, alguém cantarolando passa,
Cantarolando a minha própria mágoa.

Quem será êsse vulto que se apossa
Da firme dor que em minha vida existe,
Para cantá-la assim num ar de troça,
De uma maneira que me põe mais triste?

E olho através do espelho da vidraça:
Dorme o jadrim sob os soluços d'água.
Na rua adormecida ninguém passa.
A chuva canta a minha própria mágoa.

Araújo Figueredo

Num Sonho

- Lá vai, velas ao vento, o brique Flor das Águas;
Lá vai, garbosamente, em procura do Norte.
E alegre chegara? Quem sabe lá das magoas
Da sua gente? E quem já lhe notou a sorte?

"Mágoas! Quem nunca as teve? Eu, pelo menos, trago-as
Desde o dia fatal em que, olhando a morte,
O meu noivo vagara aflito, envolvido nas fráguas,
Dos bruscos vagalhões em terrivel coorte:

Assim falava Rosa às queridas amigas...
E dentre o lindo rol de meigas raparigas,
Rita pôs-se a cismar na vida do Lourenço.

Vira-o no mar profundo e revôlto de um sonho,
Nas angústias fatais de um naufrágio medonho,
A gritar e a acenar convulsamente um lenço.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Metro Part.1

Minha intenção não é um trabalho acadêmico nem realmente demonstrar alguma habilidade pessoal, apenas esclarecer algumas dúvidas e expor algumas opiniões. Esta é a parte 1, coisas mais complexas ao meu ver eu vou colocar na segunda parte, no porvir de tempos mais distantes, onde talvez, alguns tenham aprendido ou entendido algo disso tudo. Espero ajudar em algo com isso... Não sou um bom professor.

Em suma, isso não é algo realmente sério, apesar de ter um embasamento didático.

Fontes, livro:

  1. Nossa Gramática, Teoria e Prática de Luiz Antonio Sacconi.
  2. Fotocópias que tirei a muito tempo e não me lembro o nome do livro.
  3. Minha mãe.
  4. Experiências Pessoais, Sistema Nervoso de Geleiras.

O Verso Clássico

A base de tudo, na criação do universo, para que as cadeias de eventos existam, originou-se o tempo.
No dicionário: sm 1. A sucessão de anos, dias, horas, etc., que envolve a noção do presente, passado e futuro. 2.Momento ou ocasião apropriada para que uma coisa se realize. 3. Época, estação. 4. As condições meteriológicas. 5. Gram. Flexão indicativa do momento a que se refere a ação ou estado verbal. 5. Mús. Cada uma das partes, em andamentos diferentes, em que se dividem certas peças musicais, como, p.Ex. A sonata.

Pois bem usaremos o tempo na poesia, em todas as formas ali. Porém, um dos elementos que vai ser realmente o tempo da poesia é o metro e o ritmo. O metro(ou “pés”) é o numero de silabas no verso, para que aja assim o ritmo que posteriormente vamos estudar. Eu não vou me ater a nomes bonitinhos pois para mim isso só vai ser útil mais tarde. Antes você deve saber fazer para depois meter banca.

Métro, ou Pés

Começaremos com o mais simples, ao contrário das silabas que aprendemos na escola, ou não, no meu caso. Elas são contadas /as/sim/ al/go/ e/nor/me/men/te/ o/pos/to/ ao que seria o metro poético, /as/sim/ al/go e/nor/me/men/te o/pos/to ao/ ou/tro.

A contagem das silabas métricas se faz auditivamente e obedece certos princípios.

Quando houver vogal no fim de uma palavra e outra no início da palavra seguinte, formando ditongo(sorvete amargo = sovertiamargo; campo alcacifado = campualcacifado; ou crase: minha alma = minhalma; santo orvalho = santorvalho), conta-se apenas uma silaba.

No verso se faz até a silaba tônica da última palavra, digamos: hi/po/pó/tamo (no caso um esdrúxulo); sau/da/de (grave); es/ta/ções que é então, o agudo. A variação dessas rimas no poema, quando não forçadas, pode dar uma sonoridade um pouco mais rica, mas repito, quando não forçada. Esperimente e veja que tipo de impacto que elas dão.

Em casos de ditongos, em geral formam apenas uma sílaba metrica: Pá/tria/; quei/xu/me/; a/cor/dou.

No caso dos hiatos, se forma o contrário, pois a tônica se encontra depois, logo se sente uma quebra por assim dizer: sa/bi/á, hi/a/to, ru/í/do.

Vamos encandear essa trova:

Es/tu/dan/te/, dei/xe os/ li/vros,
e/ vol/te/-se/ pa/ra/ mim/;
mais/ va/le um/ di/a/ de a/mo/res
que/ dez/ a/nos/ de/ la/tim.

(popular)

Note que são todos sete sílabas métricas, heis ai um heptassílibado, ou rendondilha maior. No terceiro verso, pelo que se dá a entender, no di/a, se encontra uma diérese: que é a transformação de um ditongo em hiato. Esse processo fonético é algo que vamos estudar a seguir. Antes eu recomendo um pouco mais de treino, escrevendo ou encandeando, que é isso que acabamos de fazer com a trova.

  1. A crase; É a fusão de duas vogais numa só. Ex:(mi-nhal-ma = Minha alma; santo orvalho = san/tor/va/lho).
  2. A conhecida elisão(ou sinafela): É a queda da vogal átona final de uma palavra, por exemplo: Canta um = Cantum; minha infância = minhinfância. Quando o poeta não quer usar isso, geralmente costuma-se usar um “-” entre as palavras (canta-um), isso recebe o nome de diálise.
  3. Ditongação: é a junção de uma vogal átona final com uma seguinte, formando ditongo: soverte amargo = sovertiamargo; campo alcacifado = campualcacifado.
  4. Sinérese: é a transformação de um hiato em ditongo, ex: Crueldade = cruel-da-de, violeta = vio-le-ta.
  5. Diérese: é justamente o oposto, vide a trova.
  6. Ectlipse(!!): é a queda de um fonema nasal, para que haja crase ou ditongação. Como dizia camões: (“ Mas co saber se vence que co braço.”) Outro ex: com os = cos; com a = coa; com as = coas.
  7. Aferese: é a queda de sílabas ou de fonemas iniciais, Ex: inda(em vez de ainda), 'stamos (em vez de estamos).
  8. A Símcope: é a queda de um fonema no meio da palavra. Ex: Espr'ança por esperança ou dev'ria por deveria.
  9. Apócope: é a queda de um fonema no final da palavra, Ex: mármor por mármore ou cárcer por cárcere.
  10. Prótese: é a colocação de um fonema no início de uma palavra: Alevantar por exemplo, no lugar de levantar.
  11. Paragoge; é o acréscimo de um fonema no final de uma palavra, Ex: Mártir por mártire, ou cantare por cantar.
  12. Diástole: é a deslocação de um acento para a silaba seguinte: Artifices por artífices, alacre em vez de álacre.
  13. Sístole: é o inverso da diástole; deslocação do acento para a sílaba antérior, Ex:Dário ao invéz de Dario, calmária ao invés de calmaria.
  14. Métatese: é a transposição de um fonema na própria palavra, Ex: vairo ao invez de vário, cousa por coisa, rosairo por rosário. Usado em maioria apenas por exigências de rima.

O uso desses recurso pode dar uma graça ao seu trabalho, porém, devemos admitir que o exagero pode levar o poema ao inteligível, ou ao excêntrico... Talvez, seja essa a intenção do autor, logo, bom proveito.

Ritmo

O ritmo é a graça da poesia, é dela que se sai o som, podendo lidar com a velocidade o peso e muitas outras cocitas más que o autor-poeta irá descobrir ao longo das eras...

Não vou me ater a coisas como regras na colocação das tônicas ao longo do verso e coisas do tipo, que fique isso ao seu encargo e curiosidade. O que eu irei fazer é apenas dar o empurrãozinho inicial, como à quem monta numa bicicleta pela primeira vez.

“Tanto limão, tanta lima,
tanta silva, tanta amora,
tanta menina bonta...
Meu pai sem ter uma nora!”(popular)

Tan-to -li-mão, - tan-ta – li-ma,(1ª, 4ª, 7ª)
tan-ta- sil-va, -tan-ta a-mo-ra,(1ª, 3ª, 5ª, 7ª)
tan-ta -me-ni-na- bo-ni-ta...(1ª, 4ª, 7ª)
Meu- pai- sem- ter- u-ma – no-ra.(4ª,7ª)

“Já serena desce a tarde,
Já não arde o sol formoso:
Vem saudoso o brando vento
doce alento respirar.”

(Silva Alvarenga, Rondó XX, A Tarde)

Já - se-re-na- des-ce a -tar-de,(1ª,3ª,5ª,7ª)
Já- não- ar-de o -sol- for-mo-so:(1ª,3ª,5ª,7ª)
Vem -sau-do-so o -bran-do -ven-to(1ª,3ª,5ª,7ª)
do-ce a-len-to -res-pi-rar.(1ª,3ª,7ª)

Nota-se, se você der ênfase nas tônicas sentirás a sonoridade, o ritmo. Antigamente a música e a poesia eram uma só, dizem, ou talvez, era como os repentistas de hoje, do sul ao norte do país. Justamente as provas vivas de que a poesia não é algo pessoal para ser lido no livro apenas.

Mas, dizem, fora essa mescla separada pelos romanos, como se pode ver, tudo que é ruim veio dos romanos, como o mercado automobilístico por exemplo.

Pois bêm, são as tônicas da palavra e sua colocação ao longo do verso, e sua repetição aos demais, a mudança de ordem, no decorrer do poema, pode gerar uma quebra, boa ou não, dez que devidamente feito. Podendo mudar a velocidade acelerando, ou não.

Lembre-se que na música um dos elementos que a faz ser ela mesma é a repetição, é o que dá a simetria e a perfeição, mas uma musica muito repetida pode vir a ser monótona. Logo um poema muito extenso sem variação no ritmo e no metro pode gerar algo cansativo. A questão é, estude escrevendo e lendo em voz alta, as diferentes possibilidades e misturas e veja a que mais lhe agrada para determinado poema. E muitas outros elementos você pode usar alem, é o que veremos a seguir.

Rimas

As rimas, ao contrário do que a maioria pensa, não é a parte mais importante da poesia. Ela também se resume a repetição. Essa obrigatoriedade de rimas perfeitas aos olhos, está mais para uma histeria parnasiana do que realmente para uma obrigação. Dês que elas não sejam, digamos, fracas como verbos no infinitivo, ou sempre de uma classe gramatical. Mas isso não significa que você não deva usá-las. Mas use-as com moderação. Nimbos, e lindos tem a mesma sonoridade, nisso, elas podem vir a rimar. A mesma coisa que cisne e tisne, que são rimas raras, mas isso não significa que devas usá-las sempre que possível.

A rimas podem estar nas mais variadas localizações possíveis.

Tudo enfim, cabe a criatividade e ao som.

Mas vamos seguir alguns exemplos.

Toantes, Sonantes e aliteradas.

  1. As toantes apresentam identidades somente nas vogais tônicas: lúcido e dilúcido, árvore e pálido, boca e boa.

“Molha em teu pranto de aurora as minhas mãos pálidas
molho-as. Assim eu as quero levar à boca,
em espírito de humildade, como um cálice
de penitência em que a minha alma se faz boa...” (Manuel Bandeira)

  1. As consoantes são as que rimam de igualdade total a partir da vogal tônica: Menino, tino, albino; casa, asa, brasa; percevejo, desejo e por assim vai.

  1. Aliteradas são as formas que dizem como rudimentar, são as que rimam na primeira consoante. Pode-se encontrar na poesia mais famosa, (Depois do hino nacional e o hino da bandeira.) de nosso pais: A “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias.


“Não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá;
sem que desfrute os primores
que não encontro por cá;
sem qu'inda aviste as palmeiras
onde canta o sabiá.”

Masculinas e femininas.

  • São as rimas oxítonas as masculinas, e as de palavras paroxítonas são as femininas. Tais denominações, são da poética medieval, dos trovadores galaico-portugueses. As esdrúxulas não tem denominação. A alternância das rimas masculinas e femininas é de rigor na poesia francesa, e como é de se esperar, já fora usada por muitos poetas brasileiros, na belle época, que na época era a classe alta imitar a francesada, hoje todo mundo quer é ser inglês, até mesmo os argentinos.

Pobres, Ricas, Raras e Preciosas

  • As rimas pobres são as rimas provenientes da mesma classe gramatical, ou de palavras comuns. Ex: Pobremente, deprimente. Coração, irmão. Criado, matado. Sonhador, dor. Mar, voltar. E assim por diante.
  • As ricas já são justamente o contrário, com palavras de classes gramaticais diversas, ou as de uso inusitado. Ex: Vibra e libra, fosco e tosco, sonha e fronha, assumes e lumes, dele e aquele.
  • Raras são aquelas de poucas possibilidades de rimas, como tisne e cisne, turco e murco, furco, urco e algumas formas verbais.
  • Preciosas são as rimas artificiais, forjadas com palavras combinadas, tais como múmia com resume-a, pântanos e quebranta-nos, lâmpada e “estampa da”, “lírios e delir e os”. Com criatividade e moderação, é claro.

Localização:

Darei ênfase apenas no momento, às rimas encadeadas e as rimas Iteradas. São as rimas encadeadas as quando a ultima palavra de um verso rima com outra no verso seguinte.

Ex:

“Ouve, ó Glaura, o som da lira,
Que suspira lacrimosa,
Amorosa em noite escura,
Sem ventura, nem prazer.”

Silva Alvarenga

Já as Iteradas são as que se repetem no mesmo verso:

“Donzela bela, quem me inspira a lira
um canto santo de fremente amor,
ao bardo o cardo da tremenda senda

estanca arranca-lhe a terrível dor!”

Castro Alves.

Outras Cocitas Mas

Heis aqui alguns exemplos que podem lhe gerar idéias, qualquer elemento usado, se bem usado, tanto figuras de linguagem como qualquer outro meio, pode dar uma graça ao seu poema, como um tempero exótico ou até mesmo como uma cobertura de um bolo.

Calvagamento: Recurso do qual o sentido do verso não finda nesse próprio, como nesses versos de Olavo Bilac: “Pátria, lateja em ti, no teu lenho por onde
Circulo! E sou perfume, e sombra, e sol e orvalho!”

Serve tanto para dar ênfase á uma determinada como também para evitar um certo cansaço em poemas longos, apesar de que sua utilidade pode ter inúmeros fins.

Aliteração: É a repetição de tônicas ou de uma letra.
“Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias de violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas vãs, vulcanizadas” Cruz e Souza.

Nota-se aqui a aliteração com sentido de sugerir o sussurro do vento.


“Sou um mulato nato do litoral” Caetano

Caso das tônicas.

domingo, 1 de março de 2009

Algumas Formas




Epitáfio para C.

Tu foste as cores dos planetas,
dos pendurados no meu quarto
tu foste as luzes, foste feita
de todas cores dos planetas
tu foste os mundos, a luneta
que mostra os mundos no qual parto,
tu foste as cores dos planetas,
dos pendurados no meu quarto.

Tempestades

No céu furioso, cinza e azul
rugiam estrondos incessantes
e desciam uivos sufocantes
pelas legiões que vem do sul.

De mares frios, de muito antes,
de olharmos para mundo algum
no céu furioso, cinza e azul
rugiam estrondos incessantes.

E se arrastando em vento sul,
vão por oceanos, retumbantes
por continentes e nenhum
pôde ver as almas fascinantes
no céu furioso, cinza e azul.

Miragem

Fachos de luzes cercam a lamparina,
em seus desejos dançam corrompidas,
ímpias seduzem, todas seduzidas,
as mariposas voam! Essas meninas...

Fadas singelas velam esmaecidas,
e crepitando soltam sua morfina
cá nos meus olhos podres! Me fascina,
a delicadeza opaca das perdidas.

Tais mariposas deixam suas escamas,
nos delicados toques de meus dedos,
como se fosse leve maquilagem...

Tais mariposas queimam em suas chamas,
apaixonadas perdem seus segredos,
para morrer na estúpida miragem!


Rondó

Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.

Em um berço, no balanço
dorme um anjo tão sozinho
muito frágil o garotinho
no descanso de algodão.

Dorme o anjo no enfadonho
do balanço, cobertores
nos ursinhos protetores
nos seus sonhos que se vão.

Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.

Essa bruxas almas levam
das criancinhas nas suas casas
dos quais dormem sob a brasa
que conservam no pulmão.

Essas brasa são os afagos
que suas mães lhe embalaram
para um sono que cavalgam
sob os lagos da ilusão.

Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.

Ninguém sabe o paradeiro
dos pequenos desalmados
são vendidos ou trocados
derradeiro de um leilão.

Ou são todos devorados
em feitiços carniceiros
ou talvez valem dinheiro
de endiabrada transação.

Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.

Elas rondam qualquer canto
de qualquer casa ou família
expiando com malícia
procurando refeição....

No Desterro e nestas noites
em que os tempos enterraram
tantos contos apagaram
nos açoites da razão.

Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.


Aqui estão uns poemas mais antigos... De tema semelhantes, mas algumas formas de poesias diferentes. Na verdade estas foram mais estudos.
Um triolé, que é uma oitava com o mote que são os dois primeiros versos, que se repetem num esquema AbaAabAB, que funciona melhor com versos curtos, é bastante sonoro, e mais intenso, é bom para coisas como epitáfios, versos apaixonados ou de qualquer sentimento intenso. Ao meu ver.
O Rondel, também vale da repetição, só que maior, tenho a impressão ao ler um rondel como pessoas duas talvez, dançando em roda. Ta, cega de viajar. Digamos, ele dá voltas, e é isso, e termina como começa, só que indo muito além, em um loop(acho que é isso). É uma forma bastante sonora mas pode se tornar apática se não souber usa-la... O esquema é assim ABba baAB ababA, de preferência com versos curtos.


O Soneto, é uma caixinha, daquelas em que você dá corda e sai uma surpresa, o que realmente importa no soneto é os dois últimos tercetos e a dia. A alma dele está no desenvolvimento da idéia. Ele está vivo até hoje mais pelo fato de que ele vive pela idéia, não em si por intensidade de sentimento ou coisas assim, apesar de que ele pode ser muito mais intenso se você assim o quiser e for capaz.

Rondó, muito confundido com o rondel, mas na verdade é bem diferente, o exemplo que uso é o rondó francês, geralmente composto de um verso inicial, de rimas intercaladas.
“Óh! Mãe tranque todas frestas,
pois as certas mariposas
nele pousam e sua alma
se deságua e a levarão.”

E de um seguimento geralmente composto de duas estrofes, do qual a ultima rima é a ultima rima do inicial, exemplo
“No Desterro e nestas noites
em que os tempos enterraram
tantos contos apagaram
nos açoites da razão.”

Sendo que o primeiro verso tem um rima interna com o ultimo verso da estrofe, no geral é isso, ele é mais uma forma musical do que qualquer outra coisa, muito bom de se pegar um ritmo e de cantar assim sem mais nem menos. A base dele é isso aliás, como se fosse uma letra de música, aliás, poesia é em si letra de música, pelo menos hoje em dia só mais na parte “popular/regional” como os repentistas, cantadores do sertão e o samba por exemplo. Procure por Chico Buarque e Elomar aliás.

Pois bem, qualquer coisa, siga os exemplos que fiz, e no caso do rondó leia Silva Alvarenga, soneto leia os parnasos e simbolistas, com Cruz e Souza e Olavo Bilac, aliás nesse você pode encontrar exemplos de rondels e triolés, e triolés em Cruz e Souza também.
Mas em geral pesquise e leia muito dos antigos, porque eles dão idéias do que inovar em cima deles.

Por hoje foi só... Boa noite.

Aliás, o link do blog de onde tirei a foto. (link) . E os poemas são mais antigos, possivelmente do Blog anterior antes de eu trancar ele e recomeçar outro.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Milton Nascimento - Alunar

Alunar


Alunar, aterrar
Lá em casa minha mãe
Não parou de pensar
“Tudo em paz com nosso adeus”
Alunar, aterrar
”Assegure o amanhã”
E o sol vertical
Fogo solto na manhã
Alunar, ilusão
Ver Aquele Musical
Tudo em paz
Se eu morrer
Não me esqueço de você
Alunar, alunar
Fogaréu vertical
Aterrar, aterrar
Não preciso de seu medo, mamãe
Só morrer é seguro
Tudo em paz, tudo bem
Quero ver soluções
Boa noite, meu bem
Tudo em paz com nosso amor e depois
Só morrer é seguro
Anjos de cristal
Velharia lá de casa
Côres, corpos, casa
Alunar, aterrar
Assegure o amanhã
E o sol vertical
Velha estrela de latão
Ilusão, ilusão
Tudo bem com nosso amor
Alunar, aterrar
Lá em casa minha mãe
Não parou de pensar
Ver aquele musical
Tudo em paz, se eu morrer
Não me esqueço de vocês.

Alunar
Lõ Borges – Marcio Borges
Interprete Milton Nascimento em Álbum homônimo, uma melancolia muito forte aliás... Album de 1970.
Esses caras, Milton, Lo Borges, Beto Quedes e por ae vai... Eles tem muito do que acho eu só viria a aparecer mais tarde nos anos 80, com outro movimento artístico, que ignorou ao chegar a cá muito do que já fora feito....

Milton em especial (não é apenas um ponto de vista meu) parece ter alguma chama em comum com Cruz e Souza, uma melancolia que parece sendo apenas deles, apesar deles serem tão diferentes entre si, e em seus trabalhos. Seria magnífico ver um poema de Cruz e Souza musicado pelo Milton Nascimento... Posso ter certeza disso.

Bom, vale a pena sonhar.

Minha mãe colocava Clube da Esquina para mim escutar quando eu era pequeno, deve ser mais ou menos por isso que eu sou as vezes meio assim... Uma faixa em especial que faz de lembrar de meu berço acho, a faixa dez do Clube da Esquina. Outra música também é a Cravo e Canela, que me faz lembrar não sei porque de uma doceria que tinha em São Paulo, se não me engano, próximo a Praça do Por do Sol, dos meus primeiros seis anos de vida.

Fiquei anos sem escutar esse álbum e quando voltei me veio muitas lembranças de infância, mesmo que o sentido da letra não tenha relação, está ligado a determinadas memórias. Sendo outras em especial como, por exemplo, é a (faixa doze), sendo esse mais por uma identificação recente...
Misturado um pouco com o desejo de ter um quarto só meu... Bem, quem é TDA deve me entender de certo modo... Hoje em dia com o ouvido mais treinado e um pouco mais de noção para entender as letras, elas acabam ganhando muito mais peso do que quando pequeno, mas as vezes acho que as fantasias que eu tinha viajando naquelas composições inimagináveis fazia elas dentro de minha cabeça terem um tom ainda mais fantástico, muitas cores a mais... São dois albuns diferentes, cada qual com seus encantos... É a vida... Cada qual com uma relação com fases diferentes de minha vida... Como será o Clube da Esquina para mim quando eu for adulto? Ou quando velho? Como será todos os outros grandes álbuns de minha vida, como Quadrophonico de Alceu Valença e Geraldo Azevedo, ou os dois Magníficos Cantoria?

Esses álbuns são como o primeiro beijo, a primeira namorada ou o primeiro dia de aula, a gente nunca esquece e todos os demais serão uma sombra daquilo que passou, poderão ser tão bons quanto os primeiros, e alguns ainda melhores, mas não terão aquela mágica e aquela força...

Nossa... Tanta coisa apenas pelo fato de eu ter posto uma letra de música no blog, grande comentário... Mas agora não vou mais incomodar vocês, tenham uma boa tarde e até.

Abraços.

Marcel Angelo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ave Sangria




Reza a lenda que o nome Ave Sangria surgiu da sugestão de uma cigana meio louca encontrada no interior da Paraíba pela banda, que na época se chamava Tamarineira Village. O vocalista Marco Polo explica: "Ela gostou de nossa música e fez um poema improvisado, referindo-se a nós como aves sangrias. Achamos legal. O sangria, pelo lado forte, sangüíneo, violento do Nordeste. O ave, pelo lado poético, símbolo da liberdade do nosso trabalho".

Os integrantes do Ave Sangria chegaram em 1974 ao estúdio de gravação Hawai, na Avenida Brasil, Rio de Janeiro, empunhando peixeiras, como uma forma de antecipar as piadas que viriam diante do fato de todos serem nordestinos, algo infelizmente comum na época e que ainda se pode ver hoje em dia. As gravaçoes foram cheias de problemas, o som saiu mais acústico e a banda esperava algo mais rockn'roll, o chamado "amaciado". Como se não bastasse a arte da capa sofreu um remendo, maneira que a gravadora encontrou para não pagar os direitos autorais ao ilustrador Laílson de Hollanda Cavalcanti.

Apesar dos contratempos, o disco consegue trazer um som original que mistura a psicodelia com as raízes da música nordestina. Um fundo musical para as viagens poetizadas contidas nas letras das belas canções que ilustram o trabalho.

Em 1975 o Ave Sangria se despediu com o show Perfumes & Baratchos mas deixaram sua marca viva na música brasileira e principalmente nordestina. Marco Polo (vocais), Ivson Wanderley (guitarra solo e violão), Paulo Raphael (guitarra base, sintetizador, violão, vocal), Almir de Oliveira (baixo), Israel Semente (bateria) e Juliano (percussão), o Ave Sangria, os Rolling Stones do Nordeste, apesar do falecimento precoce...brincaram de fazer música.

Fonte do BLOG

Músicas:
01. Dois Navegantes
02. Lá Fora
03. Três Margaridas
04. O Pirata
05. Momento na Praça
06. Cidade Grande
07. Seu Waldir
08. Hei! Man
09. Por Que?
10. Corpo em Chamas
11. Geórgia, a Carniceira
12. Sob o Sol de Satã

Corpo em Chamas
Ave Sangria


Quando eu botar fogo na roupa
Você vai se arrepender
De tudo o que me fez
Voce vai ver meu corpo em chamas
Pelas ruas... Ho, yeah

E o povo todo horrorizado
Iluminado pelo meu fulgor mortal
Eu vou dançar
Girando o corpo incendiado
Até cair no chão

yeh yehyeh yehyeh yeh

O grito agudo da sirene
Dos bombeiros
Alertando a multidão
Alguém falando que era um louco
No céu negro, a lua cheia a brilhar

Segure a mão de uma criança
Amão gelada
E a mãe gitando: "Não e não!"
E eu tão feliz
Guirando colorido
Sob as chamas do luar

yeh yeh yeh yehyeh yeh

Quando eu gritar não se arrepie
Lembre apenas
Das contrárias que me fez
Saia correndo e mergulha
Assim vesticda
Lá no mar... ho, yeah

Mas não vai ter mar que me salve
Da alegria deste salto
Em fogo e luz
Olhe pra mim
Essa é a peça de teatro
Mais bonita que eu já fiz

yeh yeh yeh yeh yeh yeh

Depois a noite há de descer gelada
Sobre os corações
De quem souber
E alguém dirá que foi
O primeiro a ver... oh, yeah

A presença selvagem
De um clarão vermelho
Rodopiando pelo chão
Esse sou eu
Dorido, dolorido
Colorido e sem razão
Ou não...

Alceu Valença


Ano de Lançamento:1974
Gênero:Udigrudi - Folck Rock Psicodélico
Tamanho do arquivo:37 MB


Faixas
01. Vou Danado Pra Catende
02. Borboleta
03. Punhal de Prata
04. Dia Branco
05. Cabelos Longos
06. Molhado de Suor
07. Mensageira dos Anjos
08. Papagaio do Futuro
09. Dente de Ocidente
10. Pedras de Sal
11. Chutando Pedras


Alceu Valença, com seus pés descalços e cabelos compridos, fez da irreverência o trunfo de sua carreira. Hoje é conhecido por misturar os ritmos nordestinos — como baião, frevo, xaxado e maracatu — ao rock, fado ou sons orientais. Em 75 foi para a rua, vestido de palhaço e com um megafone em punho, chamar o público para seu show Vou Danado Pra Catende. Quando tinha 4 anos, participou de um concurso de interpretação infantil. Cantou uma música de Capiba, mas não levou a caixa de sabonetes, troféu dado ao vencedor. Inconformado, começou a dar cambalhotas na hora da premiação. Ganhou a simpatia das pessoas e os sabonetes também.

Filho da classe média pernambucana, Alceu Paiva Valença nasceu no dia 1º de julho de 1946, em São Bento do Una. Na década de 50, mudou-se com os pais para Recife, onde chegou a se formar na Faculdade de Direito. Sua vida, porém, era participar de festivais de música.

Em 69 foi para a Universidade de Harvard, em Boston, mas, em vez de estudar, passava os dias tocando canções nordestinas em escolas e praças públicas da cidade. Na década de 70, de volta ao Brasil, Alceu viu sua carreira engrenar. Lançou, em 72, um disco em parceria com Geraldo Azevedo. Nesse mesmo ano, num dos momentos mais emocionantes de sua carreira, cantou Papagaio do Futuro com Jackson do Pandeiro no VII Festival Internacional da Canção. Em 74, gravou seu primeiro trabalho solo, Molhado de Suor, que abriu os olhos da crítica. Com o show Vou Danado Pra Catende, de 75, conquistou a admiração do grande público.


FONTE