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segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Ossos Retorcidos
Ossos retorcidos,
num fractal como um broto,
de uma semente infeliz.
Como uma muda esquecida
entre pedregulhos em um planeta vazio.
Cresce confrontando os astros,
formas perfeitas. É, em gênese
dor consciente e ciente de si.
Entre esferas perfeitas o grotesco acode
o coro das almas, seus anseios
a aceitação de um vaso quebrado.
A necessidade de encaixe em um mosaico de cacos de vidro.
O grotesco acode os anseios das almas,
distante das esferas, do inquebrantável
silêncio do eterno.
O grotesco, ossos retorcidos
cresce na súplica do desespero
como uma prece, uma chance
de Caos acordar o Éros.
Acho que estou voltando a escrever, eu fiz um soneto no ônibus esse dia, mas esqueci de salvar ele...
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Buraco Negro
Predador
Pulsa
Onde o medo
Da alma encarnada
Geme a miséria
Prenhe frente
Ao seu holocausto
Um grande olho
Rege todo este manto
É um olho negro
E o tempo não lhe importa
A luz lhe é profana
Corriqueira
Como um fósforo.
A luz teme o breu absoluto
Faminto que a tudo vê e enxerga.
Necrófilo dos astros.
Sem motivo.
Indiferente, mecânico.
Segue sua função.
Inimigo e ameaça.
Um olho indiferente
Além dos demônios
E do Vazio
Proclama a sua ascensão
Pela existência morta.
O Mal
Demônios.
Querem purificar o mundo das coisas.
Tirando a pele e limpando os ossos.
Fazendo entalhes bonitos.
Enxergam tudo na lógica de um único olho formal.
Na mais pesada higiene.
Necrofilia clean de um consultório.
Purificado de nós de vós de tu e eles.
No suprassumo de um Eu supremo. O mais moral.
Onde as estrelas estão apagadas.
E grandes buracos negros
Sofrem em fome perfeitos.
Onde o perfeito não muda.
Onde a carne queimou para virar cinzas.
E cinzas são imortais. Reduzidas ao sumo do sumo.
Perfeito, asceptico e incorruptível.
A ordem e o silêncio.
Como a mente do Distorcido dos distorcidos.
Fiel. Santo e superior. Único.
domingo, 30 de agosto de 2015
Morte
Morte,
não tem promessa
é aquilo que os mortos temem.
Enfrentam a porta do quarto de seus pais.
Os dias devem morrer,
todas as horas são horas mortas
e ela dança seguindo seus passos
no rastro das memórias apagadas.
Como quem brinca de pular poças
como quem brinca de amarelinha.
O tempo ermo da rotina
é um piso, um degrau
é aquele amigo esquecido
e a porta
aquele quarto demolido.
É aquilo que os mortos temem.
Em frente á porta do quarto de seus pais,
o garoto perdido é um estranho,
comutado.
é um piso, um degrau
é aquele amigo esquecido
e a porta
aquele quarto demolido.
É aquilo que os mortos temem.
Em frente á porta do quarto de seus pais,
o garoto perdido é um estranho,
comutado.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Ode
Ode
Ondas
vagas neste tempo,
crisálidas vazias,
as ideias que são fetos
ainda.
Tudo concepção
do breu ao útero nocivo.
O caos em si é produtivo
como o desapego.
domingo, 26 de outubro de 2014
Invocação
Invocação
Verte sobre o rio,
correnteza,
de antigas plebes d'água
se alastre
e traga rumo ao rio
desastrar-se
leva esta gente em sua borda
lave hasta ambos se igualem
no equilíbrio tênue da Orla
leve esta gente em sua borda
lave hasta ambos se igualem.
sábado, 25 de outubro de 2014
Invocação
Ela é tão distante
nada lhe tem sentido,
no vazio
só sua vontade
sobre o Breu fértil que a gerou.
Em sua imagem e efigie
os seus olhos o elo com o Feto
e a placenta.
Ela se chamou Origem uma vez
tão distante,
que o sentido é outro
outras as suas leis
e seu desejo
é Outro.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Constrição
Essa vontade de fumar um cigarro,
essa vontade de me jogar
na frente de um carro.
Abrir-me
com o fio de minhas unhas
minha caixa toráxica.
Sou escondido num silêncio calmo
sobre as dobras do sorriso
sou encardido como velho medo
em velhos dividendos.
Entrara em mim um caos impreciso
força em mim, força fecunda
com um plástico na cabeça!
sábado, 19 de abril de 2014
Lua
Lua
Ah algumas perguntas
que ela não responde.
Mas o silêncio
responde por ela.
Este seco insensível
guarda.
Segredos de mundos
adversos
refletidos sobre minha
imagem
desenhada a giz de
cera,
aulas na quarta-série.
Só que ela abre
antigas portas
d'antes de entrarmos na
brincadeira
de nomear o mundo e as
coisas.
E corríamos nus, nós
dois, sem medo
do sentido oculto.
Mas ah algumas
perguntas que ela não responde,
e o desejo apenas
transparece
nostalgia, anelo
licantropo.
De volta ao colo
materno,
sufocar-se.
Latidos assustam, no
caminho
que os homens
abandonaram.
E quando nos
separávamos,
eu submergi
só.
Ler quando souber a hora.
Ler quando souber a hora.
No jardim as feras se libertam,
em máscaras feitas de mármore branco,
liberdade, pássaros na
gaiola
cantam luz na sombra e
na agonia.
Ela em cabelos de
cordas, serpentes,
redes de pesca e barcos naufragando. Pousa deitada nas pedras nuas nua em uma caverna.
redes de pesca e barcos naufragando. Pousa deitada nas pedras nuas nua em uma caverna.
É um âmago, um elo
com as mais anciãs verdades presentes no mundo dos homens.
Nos mais escuros
abismos dos oceanos sereias cantam os mares azuis e oceanos
cravejados por mim...
Era uma rainha
sedutora.
Ulisses, o que à na
lenda de Ulisses?
Verdade conciliadora em
grades de ferro bordadas (aquelas faróis, três irmãs e o segredo
amargo dos ciclos da lua e do inferno) de cadeados abrirão amargos
caminhos (segredos trancados frangalhos mutilados estraçalhados por
farpas de ferro) para a marcada verdade do início dos tempos
modernos, para a inércia dos tempos para os turbilhões do mar e da
tempestade. Há um erro nesse poema.
08/02/2011
08/02/2011
domingo, 2 de março de 2014
Torre
A torre inercial
exerce em seu sentido
essência embevecida
promessas
novas memórias.
De uma nova outra vida
lucilando
vitrines de apartamento.
Por exemplo.
No medo imerso em águas
águas da rua
faróis emergem em rotinas
na solidão expecta.
E o sonho rege euforia
o augúrio de Fântaso sob a égide de Morfeu.
não é o meu melhor mas eu acho que gostei dele.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Axioma
Axioma
Tempestade infesta,
esta e toda a cidade
descendo
p'ro esgoto
toda a minha fuligem
que me torna denso
imenso.
Toda a minha cobertura,
está crescendo
dentro do esgoto.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Bola de Natal
No brilho líquido como vidro,
de uma bola de natal,
eu vi luzir, encoberto no espaço livre
das férias de fim de ano,
um pequeno pedaço mirrado,
mirrado pedaço pequeno de mim.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Ansiedade
Ansiedade
Na janela largada aos humores do vento,
como as bandeiras d'alto dos morros
as cortinas
dançam presas em teu quarto
tal meninas
avoadas e com todo o rubor da natureza.
Presas, sofrendo
querendo voar
cobririam todas as promessas do Horizonte,
externo e terno e extenso e eterno co'os braços todos estendidos!
Querem elas a liberdade de se entregarem aos seus destinos,
filhotes de Nimbus
esperando seu bando
lembrar-se delas e numa tempestade
cobrindo a paisagem vir.
Elas sabem que o vento lhes ensinará a voar,
às duas.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Recado
Recado
Derramava ela
terra alçava ela
terra mar janela
erra amar, mas ela
era mar e é bela.
te amava ela…
sábado, 3 de agosto de 2013
Duas propostas
Duas propostas
Vou voltar,
com todos os sonhos censurados,
e todos os desejos,
terminar cada conto.
Compor cada verso
com as rimas pensadas.
Num desafio de amor
nas cordas da viola.
Eu vou voltar, pra além mar,
com os meus sonhos censurados,
os meus desejos selados,
cada conto terminar
rima dada, velho fado
em desafio de amor
pelas cordas de viola,
nas mais longa barcarola
pois seja pelo que for,
meu destino desenrola.
domingo, 18 de novembro de 2012
Contra Vento
"contra vento, contra monção, contra maré e contra razão”
(Peregrinação, 1614)
(Peregrinação, 1614)
contra vento, diverge
sotavento razão
no intento vergel
de num mar d'afasia
montar a alegoria
de um ensejo que amaine
um empulso que em augúrio
quebre cada sentido
e parta.
Maré I
Maré I
Eles dançam
Eles dançam
sob o
movimento indiferente
das
ondas do mar, amarrados.
Eles
todos
sob a natureza d’uma espera
de um
barco no mar, na Distancia.
Onde o tempo
torna
tudo
um tênue tema,
uma teimosia eterna e intangível,
eles
apenas dançam
o movimento das ondas.
E
enquanto todo o mundo nosso grita
confrontando o Destino,
regurgitando deuses e deuses,
como uma imensa
como uma
luminosa estrela,
como uma cidade
co’as luzes coloridas.
Eles apenas dançam,
presos,
eles apenas dançam
longe.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Pequena
Pequena
Flor,
flores amarela,
amarelos sois
com seus cachos
num gesto naif
cresces sem perspectivaFlor,
flores amarela,
amarelos sois
com seus cachos
num gesto naif
com o presente em mãos.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Suicidas
link da imagem
Eu fiz 4 sonetos também, mas estes vão para concurso...
Suicidas
Nos dias livres, os mortos
em cada apartamento,
olham:
o murmúrio da rua,
as correntes do tráfego,
a pessoas todas as pessoas
(que parecem felizes)
e os mortos
se atiram num desespero
o mais doce desespero!
de se sentirem
(como nunca puderam ser)
vivos.
em cada apartamento,
olham:
o murmúrio da rua,
as correntes do tráfego,
a pessoas todas as pessoas
(que parecem felizes)
e os mortos
se atiram num desespero
o mais doce desespero!
de se sentirem
(como nunca puderam ser)
vivos.
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