quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Poema

Essa mulher sussurra em meu ouvido :
Personagem mortos com o tempo
Raivas à muito diluídas e o medo
um fleuma negro e bile amarga.
O meu medo criado entre violências.
Danos físico e psicológicos

É o que torna fantasmas vivos
como lanternas.  Para um grito
 tormento e meu inferno.
Como um feto parasita
em relação  doentia.

Soube que Hades tem os olhos dela.
Aquele que matou o próprio amor
numa lógica retorcida
também.
Ou aquele que está morto e trabalha.
Aqueles restos de faces costuradas
escrevendo cartas em esmalte vermelho.
Aqueles que sussurram restos de memórias.
Raivas e estímulos viciados. Como fantasmas.
Também
Como aqueles que devoraram a própria carne.
Mente são e corpo são...

Ela tem os olhos dela.
 Como uma jóia.
 Numa caixa de alianças.
Num laço um presente.

Velha infeliz, rubra e cega.
Inchada como um enforcado.
Seca como um fruto de displicência.
Sussurra palavras mofadas.
Viciadas como um vício de linguagem.
Como uma larva solitária endurecendo no cérebro hospedeiro.

Sorri um sorriso morno entorpecido. O horror na verdade e o  medo compulsivo da realidade.
A trava e o bloqueio numa frase repetida.
Repetição de um comportamento.
Fuga como alternativa. Como autopiedade.

Um coral de pólipos louvando sua presença.
Prostrados frente ao abismo.
Sob o  gemido indefinido.

Seu nome.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Tempo Perdido


Tempo  Perdido

Quando tudo está perdido
vendo a gente virar pó...
Estátuas de sal na praia
história sem fim de nós.

A gente tem de estar só.
Sentado no meio desta peça
enquanto apontam pra mim
fuzis, na minha cabeça.

O tempo morre comigo
de mãos dadas. Caminhando
os outros são tão legais.
Ninguém está se matando.

O tempo pula comigo
de mãos dadas. Do penhasco
as fadas estão me olhando,
meus atos causam lhe asco.

E as fadas, seres assim
Não sei se existem ou não.
nem sei se odeiam a mim,
Se sou louco com razão...

O tempo morre comigo
de mãos dadas, sonhando
Com tudo que sinto falta . ..
E é o que está me matando.

Sonhando aquilo que falta
quando tudo está vencido.
E a gente acorda chorando
ciente do tempo perdido.