domingo, 18 de novembro de 2012

Contra Vento


"contra vento, contra monção, contra maré e contra razão”
(Peregrinação, 1614)


contra vento, diverge
sotavento razão
no intento vergel
de num mar d'afasia
montar a alegoria
de um ensejo que amaine
um empulso que em augúrio
quebre cada sentido
e parta.

Maré I




 Maré I

Eles dançam
 sob o movimento indiferente
 das ondas do mar, amarrados.
 Eles todos
sob a natureza d’uma espera
 de um barco  no mar, na Distancia.

Onde o tempo
 torna
tudo
um tênue tema,
uma teimosia eterna e intangível,
 eles apenas dançam
o movimento das ondas.

 E enquanto todo o mundo nosso grita
confrontando o Destino,
regurgitando deuses e deuses,
como uma imensa
como uma  luminosa estrela,
como uma cidade
co’as luzes coloridas.

Eles apenas dançam,
 presos,
eles apenas dançam
 longe.